Decisão inédita. "Antissemitismo insuportável" leva Alemanha a destituir deputado

Pela primeira vez em 70 anos, o Parlamento alemão destitui um deputado. A decisão foi motivada pelos vários escândalos que envolveram o deputado eleito pela AfD.

Deputados de todas os partidos já tinham pedido a demissão do polémico deputado de extrema-direita Stephan Brandner, que presidia à Comissão de Assuntos Jurídicos do Bundestag, mas os apelos não foram ouvidos e os parlamentares decidiram, esta quarta-feira, avançar para uma tomada de posição inédita.

Os representantes da CDU e SPD (coligação de governo), os Verdes, o Die Linke e FDP aprovaram por unanimidade a destituição de Stephan Brandner, depois do político de extrema-direita ter proferido várias declarações polémicas.

O último dos vários episódios polémicos protagonizado pelo deputado de extrema-direita aconteceu na última semana, quando classificou, no Twitter, como "pagamento a Judas" a atribuição de uma condecoração federal a um conhecido músico alemão crítico da AfD. Anteriormente o deputado já havia provocado indignação com as reações ao ataque terrorista em Halle que provocou dois mortos e vários feridos.

O porta-voz para os assuntos de direitos políticos do grupo parlamentar da CDU-CSU, Jan-Marco Luczak, declarou que votação para a destituição a Brandner é "um sinal claro contra o ódio", acrescentando que "estamos, finalmente a devolver dignidade ao Parlamento." Por seu lado, o ministro do Interior, Horst Seehofer, classificou como justa a decisão de expulsar Brandner, afirmando que o deputado deveria "comportar-se com respeito pelos fundamentos da nossa ordem democrática".

"O antissemitismo é insuportável"

O secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak, saudou a destituição de Brandner, declarando que o deputado não era "digno da presidência da Comissão". "O antissemitismo é insuportável", escreveu Ziemiak no Twitter.

Já a AfD protestou contra a demissão de Brandner. "O que aconteceu aqui é uma imposição à democracia", afirmou o líder do partido Alexander Gauland, que falou na "quebra de um tabu". "Podemos agir uns contra os outros?", questionou. Também o próprio Brandner criticou fortemente a decisão: "Este é um momento negro para o parlamentarismo na Alemanha e é um momento negro para a democracia na Alemanha", declarou, à margem da Comissão.

Por sua vez, a Ordem dos Advogados da Alemanha, em que o deputado está inscrito, já tinha considerado que a destituição era inevitável.

"Não é possível que a lei e esta Comissão, socialmente importante, sejam representadas por uma pessoa que insulta, difama e incita ao ódio contra algumas partes da população", declarou à imprensa alemã o responsável máximo da organização, Philipp Wendt, antes da decisão ser conhecida. "É inconcebível que Brandner continue a liderar a Comissão."

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