Depois de Júlio César e dos gatos, Roma quer abrir a "Area Sacra" ao público

Local inclui as fundações da Curia Pompeia, edifício em que Júlio César foi assassinado, e é atualmente a casa de uma colónia de centenas de gatos.

Os fãs de História vão poder vaguear, a partir do próximo ano, pelas ruínas da "Área Sacra" de Roma, que vão tornar-se num museu ao ar livre. Os trabalhos de adaptação do sítio arqueológico do Largo di Torre Argentina a turistas arrancam no próximo mês, com adaptações para permitir a entrada na vasta praça rebaixada e que contém as ruínas de quatro templos romanos, anunciou esta quarta-feira a presidente da câmara de Roma, Virginia Raggi.

Por agora, a extensão das escavações no sítio histórico só pode ser contemplada a partir do nível da rua. "Com estes trabalhos vamos começar a entrar na área e... Caminhar entre os vestígios da nossa história", disse a autarca em conferência de imprensa citada pela AFP.

Júlio César terá sido esfaqueado na Curia Pompeia, um edifício do Senado cujos alicerces calcários ainda são parcialmente visíveis. Mas, além de um possível encontro com o fantasma do político romano, os visitantes darão de caras, com muito maior probabilidade, com uma aparição de quatro patas: gatos.

As ruínas estão "sob domínio" de uma colónia de centenas de gatos resgatados, alimentados, esterilizados e cuidados por um abrigo privado sem fins lucrativos, que percorrem o local, dormindo sobre pilares de mármore truncados ou posando para fotografias turísticas - totalmente alheios ao significado histórico da sua vasta caixa de areia.

Os templos, que datam de entre os séculos III e II a.C., incluem um monumento circular à deusa da Fortuna, cuja colossal cabeça de mármore se encontra agora no museu Centrale Montemartini, em Roma. Foram descobertos em 1926, num projeto de planeamento urbano, quando as casas medievais demolidas revelaram as antigas ruínas romanas que estavam por baixo.

Braços abertos para os turistas

A obra, que deve demorar um ano, vai incluir passadiços elevados - iluminados à noite -, caminhos pedonais, um elevador e uma área de exposição coberta ao longo de um dos lados do local.

O projeto está a ser financiado pelo joalheiro Bulgari, propriedade do conglomerado de luxo francês LVMH, que doou cerca de um milhão de euros (1,2 milhões de dólares). Bulgari já patrocinou a restauração dos Degraus Espanhóis de Roma e de um intrincado pavimento em mosaico dentro dos Banhos de Caracalla.

As escavações e os trabalhos de preparação para o projeto têm continuado, apesar das restrições do coronavírus do último ano, e a abertura do local, prevista para 2022, vai coincidir com uma nova onda de turismo pós-pandémico, garante Raggi.

"Estamos a preparar a chegada de novos turistas quando a Covid terminar", disse.

Mas, e os gatos? A autarquia garante que o novo ponto de interesse não vai afetar a área "onde se encontra a histórica colónia felina de Largo Argentina".

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