Descoberta grande quantidade de água nas profundezas do gelo na Antártida

Os cientistas relembram que já foram descobertos centenas de lagos e rios líquidos interconectados no gelo, mas esta é a primeira vez que é encontrada a presença de grandes quantidades de água líquida em sedimentos debaixo do gelo.

Foi descoberta uma enorme quantidade de água nas profundezas da camada de gelo que cobre a Antártida. Estas águas subterrâneas, encontradas em sedimentos profundos, revelam uma parte da região que ainda não tinha sido explorada. A descoberta pode demonstrar também a forma como o continente gelado reage à crise climática.

"As pessoas levantaram a hipótese de que poderia haver águas subterrâneas profundas nesses sedimentos, mas até agora, ninguém fez nenhuma imagem detalhada", afirmou a principal autora do estudo, Chloe Gustafson, em comunicado citado pela CNN Internacional.

A camada de gelo que cobre a Antártida não é rígida. Nos últimos anos, foram descobertas centenas de lagos e rios líquidos interconectados e aninhados no próprio gelo. Contudo, esta é a primeira vez que foi encontrada a presença de grandes quantidades de água líquida em sedimentos debaixo do gelo.

Os autores deste estudo, publicado na quinta-feira na revista Science, concentraram-se na corrente de gelo Whillans, que tem cerca de 96 quilómetros de largura. Em 2018, os cientistas passaram seis semanas a mapear os sedimentos que se encontram debaixo do gelo. A equipa utilizou instrumentos geofísicos na superfície para elaborar uma "imagem magnetotelúrica", uma técnica que pode detetar os diferentes graus de energia eletromagnética conduzida pelo gelo, sedimento, água doce e água salgada do leito rochoso e criar um mapa a partir dessas diferentes fontes de informação.

"Fizemos imagens do leito de gelo até cerca de cinco quilómetros e até mais fundo", disse o co-autor do estudo Kerry Key, em comunicado também citado pela CNN Internacional.

Os investigadores calcularam que, se pudessem espremer a água subterrânea dos sedimentos nos 100 quilómetros quadrados mapeados na superfície, formaria um lago que poderia variar entre 220 a 820 metros de profundidade.

"O Empire State Building tem cerca de 420 metros de altura", referiu Gustafson, acrescentando: "Na parte rasa, a nossa água subiria até metade do Empire State Building. Na parte mais profunda, são quase dois Empire State Buildings empilhados um em cima do outro. Isso é significativo porque os lagos subglaciais nesta área têm de dois a 15 metros de profundidade, o que equivale de um a quatro andares do Empire State Building."

Os cientistas disseram que é preciso fazer ainda mais investigação para entender as implicações desta descoberta, particularmente em relação à crise climática e ao aumento do nível do mar.

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