Desconhecidos disparam contra viatura de candidato às eleições de Moçambique

O incidente ocorreu às 14h00 (menos uma hora de Lisboa) na estrada nacional 1.

A viatura do cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) na província de Maputo, Augusto Pelembe, foi esta quinta-feira baleada durante uma ação de campanha e o candidato escapou ileso, relatou o próprio aos jornalistas.

"Apareceu uma viatura branca, com quatro pessoas, eles interpelaram-me para pedir camisetes e eu estacionei. Depois disso, baixei a cabeça para levar o carregador [do telemóvel] e quando me levantei só vi balas", explicou Augusto Pelembe, citado pelo canal televisivo STV.

O incidente ocorreu às 14h00 (menos uma hora de Lisboa) na estrada nacional 1, quando uma caravana da terceira força política parlamentar moçambicana saía de uma ação de campanha na Machava, província de Maputo.

A reportagem da STV mostrou a viatura de Augusto Pelembe alvejada a tiro, dois dos quais atravessaram o vidro da frente.

"Eu próprio não sei como explicar concretamente o que aconteceu", acrescentou o candidato que, no momento do incidente, seguia na mesma viatura com outros dois membros do MDM.

Falando num comício na Gorongosa, centro do país, o presidente do partido, Daviz Simango, condenou o ato, classificando-o como um atentado contra a democracia.

"Estamos perante uma situação de captura do Estado", disse Daviz Simango, acrescentando que há motivações políticas no atentado. "Eles estão a ver que o galo [símbolo do MDM] está a bater em Maputo", concluiu, falando diante de simpatizantes do partido.

A polícia moçambicana remeteu declarações sobre o caso para sexta-feira. Os últimos dias de campanha eleitoral, que termina no sábado, com as eleições gerais a acontecerem na terça-feira, têm sido tensos.

Na segunda-feira, um observador eleitoral e diretor-executivo do Fórum das ONG (FONGA), Anastácio Matavel, foi morto a tiro em Gaza, sul de Moçambique, num crime que terá sido cometido por polícias, segundo anunciou a própria força de segurança que abriu um inquérito interno ao caso.

A morte motivou declarações de repúdio de várias organizações moçambicanas e internacionais, missões de observação eleitoral e representações diplomáticas da União Europeia, Canadá, Noruega e EUA que pedem apuramento de responsabilidades.

O Governo moçambicano condenou esta quinta-feira o crime, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, prometendo ainda garantir a segurança aos observadores eleitorais no país. Um total de 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher, na terça-feira, dia 15, o Presidente da República, 10 assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.

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