"Agora, as ruas não estão totalmente desertas." Português descreve Wuhan

João Pedrosa decidiu ficar na cidade chinesa que é o epicentro do novo coronavírus. Agora, escreve no site da TSF sobre o estranho dia a dia em Wuhan.

A manhã despertou cinzenta aqui em Wuhan. No entanto, hoje há algo de diferente. Desde manhã que as ruas não se apresentam completamente desertas. Sempre que olho lá para fora é possível ver alguém.

Há quem vá para as compras. Há quem venha das compras. Há pessoas a passear os cães. Há gente a fazer caminhadas junto ao lago. Alguns dos pescadores amadores voltaram. Há vizinhos nas varandas. Há vizinhos nos quintais a fazer limpezas.

Das redes sociais foi-me possível ver vídeos de pacientes em quarentena e enfermeiros a dançarem juntos nos hospitais temporários agora criados. Muitos surpreendem-se com o vigor e a atitude positiva desses pacientes no combate à doença. Além da dança, alguns vídeos, por exemplo, mostram enfermeiros que ajudam pacientes a praticar "taichi" - um tipo de arte marcial chinesa com movimentos lentos. Tentei saber via "wechat" com alguns dos meus colegas de trabalho chineses o que poderia estar na base dessa motivação. Contudo, não obtive respostas conclusivas. Ouvi, no entanto, palavras de coragem e fé que hão de levar de vencida esta batalha.

Creio, no entanto, que o retomar gradual das atividades que se iniciou nas outras províncias poderá estar a motivar estas pessoas. A mobilização das pessoas e os meios médicos decretados pelo Governo centrados em 19 províncias seguramente ajudam a criar confiança no futuro.

O estabelecimento de planos de transporte, seguros e saudáveis, para aqueles que possam voltar às suas casas são motivos para que alguma normalidade possa ser estabelecida. Há que ser perseverante e acreditar num futuro melhor!

De forma a intensificar os esforços para conter o surto do novo coronavírus, Wuhan começou a desinfeção à cidade duas vezes por dia desde 9 de fevereiro.

A desinfeção ocorre entre as 10h00 e as 16h00, todos os dias, em áreas chave como instituições médicas, clínicas de quarentena, zonas residenciais com casos confirmados ou próximos, hotéis, supermercados e outros locais públicos.

João Pedrosa, em Wuhan

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