Dirigente do MPLA diz que riquezas devem ser divididas por todos os angolanos

Luísa Damião comentou as revelações da investigação jornalística conhecida por Luanda Leaks, que trouxe a público supostos esquemas financeiros envolvendo Isabel dos Santos.

A vice-presidente do MPLA defendeu esta quinta-feira que as riquezas do país devem ser divididas por todos os angolanos, pelo que o partido no poder em Angola se propôs a combater a corrupção. Luísa Damião comentava as revelações da investigação jornalística conhecida por Luanda Leaks que trouxe a público supostos esquemas financeiros envolvendo a empresária angolana Isabel dos Santos.

A dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) valorizou o papel investigativo dos jornalistas, que possibilitou chegar às revelações.

"Esta é uma prova do papel que os jornalistas têm na sociedade, um papel muito interventivo, e penso que é uma chamada de atenção aos nossos jornalistas angolanos para se pautarem também por um jornalismo investigativo", disse Luísa Damião.

Sobre as revelações do Luanda Leaks, a vice-presidente do MPLA disse que "o poder judicial vai agir e está a fazer o seu papel". Isabel dos Santos, filha do antigo líder do MPLA e ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi constituída arguida por alegada má gestão e desvio de fundos durante a sua passagem pela petrolífera estatal Sonangol, anunciou quarta-feira a Procuradoria-Geral da República angolana.

Segundo Luísa Damião, o MPLA propôs-se combater a corrupção, o nepotismo e a impunidade porque "corrói o tecido económico e social, prejudica a vida de todos os angolanos".

"Temos a obrigação de oferecer às novas gerações um país melhor, todos os males nós devemos combater", afirmou a dirigente do MPLA.

Luísa Damião apelou à sociedade para que se empenhe na campanha de moralização da sociedade, no sentido de combater as más práticas e poder "caminhar para uma nova Angola".

"Uma Angola cada vez mais próspera, mais desenvolvida, mais inclusiva e mais moderna, porque é isso que os angolanos merecem", frisou.

E realçou: "Pensamos que as riquezas que o nosso país tem devem ser divididas por todos os angolanos para melhoramos, de facto, as condições de vida dos angolanos". Instada a comentar alegadas divergências internas no que se refere ao combate à corrupção, Luísa Damião assegurou que "o partido está cada vez mais unido, mais coeso".

"Estamos a trabalhar no sentido de cumprirmos o programa do nosso partido e os nossos militantes estão dispostos a ajudar e levar avante esta bandeira da corrupção, porque é um programa que todos os militantes do MPLA aprovaram", referiu.

A também deputada do MPLA sublinhou que os militantes do MPLA não são todos corruptos.

"Podem existir alguns, mas o MPLA tem a vantagem de ser o partido que se propôs combater a corrupção (...) porque tem consciência que esse é um mal a combater", salientou.

De acordo com a vice-presidente do MPLA, este programa de combate à corrupção "já vem de há algum tempo", e o que se está a fazer "é só materializar um programa que foi aprovado pelos próprios militantes do MPLA".

"Portanto, não deve existir essa divisão, porque o programa foi aprovado pelos militantes do nosso partido", sustentou Luísa Damião, acrescentando que devem estar "unidos em torno deste programa, porque o MPLA é um partido que tem responsabilidades acrescidas, porque é o partido que governa Angola".

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou no domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de Luanda Leaks, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

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