Disciplina de Português excluída dos exames nacionais em França. Petição contra já tem 5800 assinaturas

Na sequência da decisão, a Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros, da África e da Ásia Lusófonas lançou uma petição online, acusando o Governo francês de discriminar a língua portuguesa.

A partir de 2021, a língua portuguesa vai deixar de fazer parte das disciplinas avaliadas em exames nacionais no sistema de educação francês.

O exame de Português existe há 46 anos e tem sido alvo de críticas por motivos financeiros. Na última década, vários ministros da educação quiseram aplicar reformas no sistema, sem sucesso. Mas o novo projeto de lei do atual ministro da Educação francês, Jean-Michel Blanquer, pretende mesmo aplicar mudanças no ensino secundário e alterar a forma como os exames nacionais existiam até ao momento.

Esta nova reforma vem propor a avaliação contínua em todas as matérias e acabar mesmo com alguns exames nacionais. As provas passarão a contemplar apenas quatro línguas: Inglês, Espanhol, Alemão e Italiano.

Em 2021, apenas quatro disciplinas serão avaliadas em exame nacional, "a filosofia, um novo exame, grande oral, e duas especialidades; na área cientifica o aluno poderá escolher matemática ou ciências e em humanidades poderão escolher uma língua, e neste caso o Português não será opção. É aqui que achamos que existe uma grande discriminação", aponta António Oliveira, o secretário-geral da Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros, da África e da Ásia Lusófonas.

"O português deixa de ter o mesmo coeficiente que as quatro línguas sujeitas a exame e isso pode desmotivar os alunos que procuram aprender o português", alerta António Oliveira.

O dirigente associativo lembra que "há acordos [a cumprir] entre Portugal e França". "O Governo português investe no ensino básico com cerca de 90 professores a lecionar no Instituto Camões, mas "cabe depois a França recrutar professores no secundário. Este acordo deve ser respeitado", lembra.

"É preciso fazer pressão politica para travar esta reforma", defende o secretário-geral da associação, que já lançou uma petição contra a mudança.

A petição, dirigida ao ministro da Educação francês, foi assinada por 5800 pessoas. Um número considerado "ainda insuficiente" por António Oliveira.

Esta reforma faz parte do projeto "Uma Escola de Confiança", promovido pelo ministro Jean-Michel Blanquer. O governante está a ser acusado de conduzir uma política de "destruição do ensino nacional", o que tem levado milhares de professores a protestar nas ruas.

Entre as medidas mais contestadas está o facto de a idade mínima de escolaridade passar dos 6 para os 3 anos. Os professores contestam esta medida, alertando para aquilo que consideram ser "uma prenda para as escolas privadas", uma vez que a maioria dos estabelecimentos de ensino público estão lotados.

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