Dissidente russo diz que sanções a Moscovo estão a ser bem sucedidas

Sergei Guriev é um economista russo que, em 2013, teve de fugir do país e refugiou-se em França. Em declarações à TSF, defende que Vladimir Putin está a viver um dos momentos mais complicados como Presidente da Rússia.

O economista e reitor do Instituto de estudos políticos de Paris não tem dúvidas de que as sanções estão a ter um grande impacto na capacidade da Rússia para lutar na Ucrânia. Por exemplo, as sanções tecnológicas têm travado a possibilidade de renovar as armas à disposição dos russos. "As restrições de venda e entrega à Rússia de semicondutores, aço alemão de alta qualidade e motores franceses, impedem Putin de substituir o material de guerra destruído. Ele perdeu muitos blindados modernos e agora está a desempacotar os que eram usados pela União Soviética que estão muito desatualizados e são menos eficazes. Ele não pode produzir blindados modernos, armamento de alta precisão por causa das sanções tecnológicas."

Sergei Guriev diz que, nesta situação, a Putin sobrou a alternativa de aumentar a capacidade de combate recorrendo a mais pessoas, o que teve custos elevados para ele. O dissidente russo diz que, até há pouco tempo, Putin usava dinheiro para recrutar soldados nas zonas mais pobres do país. Às vezes pagava-lhes dez vezes mais do que recebiam e por isso não tinha falta de soldados. O problema é que as sanções começaram a ter impacto na economia e na capacidade fiscal da Rússia e o Presidente foi obrigado a recorrer à mobilização em massa. Esse passo tornou-o mais impopular e a mobilização não está a correr bem.

Guriev defende que se Vladimir Putin tivesse dinheiro suficiente, continuava a recrutar pagando às pessoas em vez de as levar à força. Por isso, as sanções estão a ter sucesso tanto na capacidade dele para recrutar soldados como na popularidade interna.

O efeito das sanções tem outras consequências e o economista russo quis dar um outro exemplo. "Putin está a enfrentar um grande défice orçamental, sem capacidade para pedir dinheiro emprestado por causa das sanções e sem capacidade de usar as reservas porque foram congeladas. Foram congeladas no terceiro dia de guerra e por isso ele não tem um fundo de reserva para os dias mais difíceis. Foi algo que ele esteve a construir durante anos usando os lucros do gás e do petróleo. O presidente está a passar um momento muito difícil. Ele nunca enfrentou em simultâneo uma situação de défice fiscal sem ter acesso a dinheiro de reserva."

A agravar a situação, diz o reitor do Instituto de estudos políticos de Paris, está o descontentamento entre o círculo mais próximo de Putin. "As sanções estão a ter, obviamente, um grande impacto no Kremlin e é por isso que Putin insiste tanto na necessidade de as levantar. Todos estão descontentes. Os empresários, amigos de Putin, estão descontentes porque os negócios que tinham foram destruídos. As hierarquias militar e do KGB estão insatisfeitas porque a guerra não está a ser ganha. O facto de Putin ter acumulado enormes recursos financeiros para construir uma máquina militar e afinal essa máquina se ter revelado ineficaz e corrupta é algo que o tornou impopular dentro do próprio Kremlin. Para piorar tudo, as sanções tiraram-lhe os recursos que ele poderia usar para apaziguar as pessoas que lhe estão mais próximas."

Sergei Guriev defende que perante as evidências o ocidente não deve baixar os braços.

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