Reportagem TSF. Dois mortos e 12 feridos em ataque a edifício residencial no norte de Kiev

Ouça a reportagem do enviado especial da TSF a Kiev, Pedro Cruz, no local do ataque. O prédio foi atingido "por fogo de artilharia".

Um ataque a um prédio residencial em Kiev matou pelo menos duas pessoas e feriu outras 12, revelaram os serviços de emergência ucranianos, enquanto os combates se intensificavam nos arredores da capital, que as tropas russas tentam cercar.

Na sua conta no Telegram, os serviços de emergência ucranianos revelaram que um prédio de nove andares no distrito de Obolon, no norte de Kiev, foi atingido ao amanhecer, presumivelmente "por fogo de artilharia", causando um incêndio que já foi controlado pelos bombeiros.

O ataque ocorreu num dia em que continuam os combates nos arredores de Kiev, depois do expandir da guerra na Ucrânia com o ataque aéreo, no fim de semana, a uma base militar perto da fronteira com a Polónia.

Diversos ataques aéreos soaram em cidades e vilas de todo o país durante a noite, desde perto da fronteira russa, no leste, até à cordilheira dos Cárpatos, no oeste. Um vereador de Brovary, a leste de Kiev, foi morto em combates no local, disseram autoridades.

Também caíram projéteis nos subúrbios de Irpin, Bucha e Hostomel, em Kiev, que viram alguns dos piores combates na tentativa da Rússia tomar a capital, disse o chefe do governo regional, Oleksiy Kuleba, à televisão ucraniana.

Uma quarta ronda de negociações está prevista para hoje entre as autoridades ucranianas e russas para discutir o fornecimento de alimentos, água, remédios e outros suprimentos necessários nas cidades e vilas sob fogo, entre outras matérias, disse o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak.

A cidade cercada de Mariupol, no sul, permanece isolada, apesar das negociações anteriores sobre a criação de corredores humanitários.

A esperança de um avanço nas negociações veio um dia depois de os mísseis russos terem atingido uma base militar de treino no oeste da Ucrânia, que serviu como um centro crucial para a cooperação entre a Ucrânia e os países da NATO que a apoiam.

Segundo as autoridades ucranianas, o ataque matou 35 pessoas. A proximidade da base com as fronteiras da Polónia (cerca de 20 quilómetros), membro da NATO, levantou a possibilidade de que a aliança militar ocidental possa ser arrastada para o maior conflito terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Falando no domingo à noite, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o dia como um "dia negro" e pediu novamente aos líderes da NATO que estabeleçam uma zona de exclusão aérea sobre o seu país, um apelo que o ocidente disse que poderia alastrar a guerra a um confronto nuclear.

"Se não fecharem o nosso céu, é apenas uma questão de tempo até que mísseis russos caiam no vosso território, território da NATO. Nas casas dos cidadãos dos países da NATO", disse Zelensky, instando o presidente russo, Vladimir Putin, a encontrar-se diretamente com ele, um pedido que não foi respondido pelo Kremlin.

O gabinete do presidente informou hoje que ataques aéreos atingiram edifícios residenciais perto da importante cidade de Mykolaiv (sul), bem como na cidade oriental de Kharkiv, e derrubaram uma torre de televisão na região de Rivne, no noroeste. Diversas explosões ocorreram durante a noite próximo do porto de Kherson, no Mar Negro, ocupado pelos russos.

Três ataques aéreos atingiram a cidade de Chernihiv, no norte, durante a noite, e a maior parte da cidade está sem aquecimento. Várias áreas não têm eletricidade há dias. Trabalhadores de serviços públicos estão a tentar restaurar a energia, mas frequentemente são bombardeados.

O governo anunciou planos para novos corredores de ajuda humanitária, embora os bombardeamentos tenham provocado o fracasso de esforços semelhantes na última semana.

Embora as forças armadas da Rússia sejam maiores e mais bem equipadas que as da Ucrânia, as tropas russas enfrentaram uma resistência mais dura do que o esperado, reforçada pelo apoio de armas ocidentais.

Com seu avanço desacelerado em várias áreas, as tropas russas bombardearam várias cidades, atingindo duas dúzias de instalações médicas e criando uma séria crise humanitária.

Apesar do ataque da Rússia em várias frentes, segundo disse hoje de manhã o estado-maior das forças armadas da Ucrânia, as tropas de Moscovo não fizeram grandes avanços nas últimas 24 horas.

Já o Ministério da Defesa da Rússia fez uma avaliação diferente, dizendo que as forças russas avançaram 11 quilómetros e chegaram a cinco cidades a norte de Mariupol.

Um porta-voz do Ministério da Defesa disse que as forças russas derrubaram quatro drones ucranianos durante a noite, incluindo um drone Bayraktar. Os drones Bayraktar da Ucrânia, fabricados pela Turquia, membro da NATO, tornaram-se um símbolo das acusações do presidente russo, Vladimir Putin, de que os EUA e os seus aliados representam uma ameaça à segurança russa.

O presidente dos EUA, Joe Biden, enviou o seu conselheiro de segurança nacional a Roma para se reunir com uma autoridade chinesa e discutir sobre as preocupações norte-americanas de que Pequim esteja a ampliar a desinformação russa e possa ajudar Moscovo a contornar as sanções económicas ocidentais.

A ONU registou pelo menos 596 mortes de civis desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, embora acredite que o número real seja muito superior. O gabinete do procurador-geral ucraniano disse que o número de mortos inclui pelo menos 85 crianças. Milhões de pessoas fugiram das suas casas.

A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 564 mortos e mais de 982 feridos entre a população civil e provocou a fuga de cerca de 4,5 milhões de pessoas, entre as quais 2,5 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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* Notícia atualizada às 09h35

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