Dois prémios, dois autores: quem são os novos Nobel da Literatura?

Olga Tokarchuk é polaca, Peter Handke nasceu na Áustria. Venceram o Nobel da Literatura de 2018 e 2019, respetivamente.

Olga Tokarchuk é polaca, formada em psicologia e trabalhou como terapeuta antes de se dedicar aos livros. Nasceu numa pequena cidade daquele país, e tem agora 57 anos.

Em 1989 escreveu o seu primeiro livro, uma coleção de poemas. Seguiu-se a escrita de vários romances e duas coleções de contos, englobados nas 15 obras publicadas pela autora.

A sua escrita afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa e do ensaio, características evidentes em Olga Tokarchuk, que contribuíram para que recebesse por duas vezes o mais importante prémio literário da Polónia.

Apaixonada pelo comportamento humano, no ano passado recebeu o Internacional Man Booker, com a obra "Viagens". O livro conta a história de um grupo que recusa a vida sedentária e acredita que viajar e estar em movimento evita as tragédias.

Os livros da Nobel da Literatura 2018 estão traduzidos em trinta línguas. Em Portugal encontramos duas obras traduzidas: "Viagens" e o livro "Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos".

Já o prémio relativo a este ano, o Nobel da Literatura foi atribuído ao austríaco Peter Handke. Autor de teatro, romances, poesia, argumentista e realizador. Peter Handke nasceu na Áustria e atualmente vive em França, com os seus 76 anos.

Passou a infância no seu país natal e em Berlim. Estudou num seminário e em 1961 entrou para a Universidade de Direito. Durante os tempos de estudante, frequentou um grupo de escritores e publicou artigos na revista "Manuskripte". Deixou a universidade após ter publicado o primeiro romance em 1965. Desde então, tem-se dedicado à vida de escritor.

O escritor tornou-se polémico pelas declarações anti-Nato e a favor da Sérvia. Criticou ainda os autores contemporâneos pelo que diz ser uma conceção limitada da literatura, acusando-os de "impotência para a descrição". Uma das suas obras mais importantes é a coletânea de contos "A Angústia do Guarda-Redes no Momento do Penalty", que Wim Wenders transformou em filme. Amigos há mais de 30 anos o agora Nobel da literatura tem vários trabalhos com o realizador alemão.

O editor da Relógio d'Água, Francisco Vale, descreve Peter Handke como um "herdeiro da melhor literatura centro-europeia", como é exemplo o escritor austríaco Franz Kafka, e autor de uma obra diversificada "tem teatro e tem depois romances e ensaios".

Francisco Vale assinala o livro "A Angústia do Guarda-Redes no Momento do Penalty" como uma das melhores obras de Peter Handke.

"Uma das grandes novas vozes narrativas europeias"

A polaca Olga Tokarczuk tem dois livros com presença em Portugal, embora um deles só chegue às bancas na próxima segunda-feira (14 de outubro). Chama-se "Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos".

A tradução das obras ficou a cargo da editora Cavalo de Ferro e, à TSF, o editor Diogo Madre Deus, descreve o livro como um romance "mais tradicional, quase em forma de thriller". Os temas são "muito atuais" e a autora aborda, sobretudo, "a relação do Homem com a natureza e com os animais".

A obra gerou alguma polémica na Polónia por colocar "o dedo na ferida" de "alguns setores conservadores ligados, por exemplo, ao catolicismo".

O outro livro publicado em Portugal da autoria da agora Nobel da Literatura chama-se "Viagens" e é um "misto de romance, ensaio e autoficção sobre vários temas, todos subordinados ao ato de viajar". Nele cabem "micro histórias, parágrafos e é um livro que, além de ser lido do início ao fim, pode ser folheado", assinala Diogo Madre Deus.

"É uma autora que espero que o público português passe a conhecer melhor." Olha Tokaczuk, a autora, é para este editor pouco tradicional e tem um brilhante futuro pela frente.

"Joga um pouco com a fronteira entre o que é a ficção e não-ficção, até tem mesmo um registo mais confessional. É pouco tradicional em termos de abordagem à escrita e às suas fronteiras. Uma das grandes novas vozes narrativas europeias", explica.

Este Nobel é, para o editor, "muito bem merecido" para a polaca que é "nova e ainda tem um grande caminho a percorrer".


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