"Durante quatro anos, sofri nos dois principais lugares de tortura da Venezuela"
Entrevista TSF

"Durante quatro anos, sofri nos dois principais lugares de tortura da Venezuela"

Faz, na próxima semana, 33 anos. Lorent Saleh viveu quatro anos em centros de tortura da Venezuela de Maduro. Esta sexta-feira, esteve ao lado de Michelle Bachelet e David Sassoli numa conferência global sobre direitos humanos, em Veneza. Um Prémio Sakharov em 2017, sem papas na língua.

Recentemente a Assembleia Nacional aprovou por unanimidade uma proposta que anula as decisões e atos do anterior período legislativo presidido pela oposição venezuelana. Como é que comenta isto?

Quem fez isso é um Assembleia Nacional "entre aspas", carece de legitimidade. A Venezuela vive, essencialmente, uma crise institucional. E, neste caso, estamos a falar de uma Assembleia Nacional de uns deputados que não foram eleitos na sequência de um processo transparente vinculado ao direito e à Constituição. Portanto, toda a ação que emana desse organismo carece de legitimidade, pelo que essa decisão que tomaram, para além de um facto noticioso, não terá grande impacto. Há uma crise institucional. Há instituições paralelas, duas assembleias, dois presidentes, há um montão de coisas a acontecer. Na Venezuela, há é um poder que controla a violência, no caso as forças armadas e a polícia, e que, de um ou outro modo, mantém o controlo territorial. Isso tem consequências graves e a sociedade sofre por isso.

O Lorent Saleh está em sintonia com Juan Guaidó, que há um par de semanas na Praça Brión de Chacaíto (leste de Caracas), onde centenas de pessoas se reuniram para lhe manifestar apoio, disse que pretende usar o Pacto de Salvação Nacional (ASN) como estratégia para exigir garantias de mudança e solução para o que continua a chamar de "conflito venezuelano"?

Vou ser-lhe franco: na Venezuela há uma crise de liderança política. A liderança de Juan Guaidó foi-se desgastando e diluindo, confinada de uma ou outra maneira a uma questão de partidos políticos de oposição, três ou quatro que também estão em crise. Geraram-se expectativas muito altas, que não se cumpriram, o que provocou o enfraquecimento dessa liderança. O papel de Guaidó nasce da Assembleia Nacional anterior que, em certa medida, também já terminou o seu mandato. Então... é complicado. O meu trabalho é como defensor dos direitos humanos. Não posso falar como alguém que seja dirigente de um partido político, apenas como defensor dos direitos humanos. Por exemplo, eu fui muito crítico e apoiei o governo de transição, não por afinidade política mas porque assim o estabelecia a Constituição. Se há uma quebra constitucional, o presidente da assembleia nacional assume o governo de transição para conduzir o país à democracia. E, nesse caso, era legítimo que Juan Guaidó assumisse.

Mas é um caso muito delicado e sou muito crítico com a falta de transparência e quanto à legitimidade deste governo de transição, quanto à gestão de recursos, prestaram pouca atenção a diversos temas de direitos humanos, colocando a prioridade noutros assuntos. Então, este acordo de salvação nacional é uma nova promessa que fazem, como outras que também não se concretizaram, embora o que eu tenho é bons desejos para o que façam, não me vou opor a nada, mas há uma crise e eu creio que a elite política venezuelana tem de olhar para isso. Depois de mais de 20 anos a cometerem-se erros atrás de erros, e muito parecidos uns com os outros, creio que agora é mesmo imprescindível que se reflita não só sobre a estratégia e a tática, mas quanto à direção que devem tomar os líderes políticos, tanto do regime como da oposição. Se não conseguiram os seus objetivos é porque não estão a fazer bem as coisas. Mas nisso não têm só responsabilidade os líderes políticos mas também os cidadãos, os ativistas de direitos humanos, os jornalistas, os advogados... não podemos continuar sem reconhecer que fizemos as coisas mal, em muitos casos. É isso que está a acontecer: não há uma reflexão, não se está a assumir os erros que cometemos. Um país que está numa crise política não sai dela se não assumimos a responsabilidade, se não aceitamos que não fizemos as coisas bem.

Mas, além disso, sente que há um problema de reconhecimento internacional da oposição venezuelana, inclusive por parte das instituições europeias?

Sim. Para ser franco, este governo de transição de Guaidó chegou a contar com um grande apoio internacional, mas isto diluiu-se porque, afinal, toda a gente aspirava a resultados. E, depois de dois anos sem avançar, ou em ponto morto, sem dinamizar a política, há que procurar alternativas. Porque as pessoas continuam a morrer de fome, sabe? As pessoas continuam a morrer nos hospitais por falta de medicamentos, as crianças estão cada vez mais à mercê do tráfico de pessoas na fronteira venezuelana, então há que procurar soluções e avançar e é isso que devem fazer os dirigentes políticos. Com diálogo - e o diálogo deve ser permanente entre todos os políticos. Guaidó, Maduro, Leopoldo, todos. É o trabalho político, comunicarem entre si e chegarem a acordo. Não tem de ser algo extraordinário, é o dia-a-dia. Eu penso que há uma insatisfação muito forte na sociedade, porque a sociedade sente que eles não estão a ser honestos. E houve algo que fez muitos danos, considero eu, que foi, durante o mandato de Donald Trump nos EUA, essa relação dos dirigentes do que foi o governo de transição com a Administração Trump, e o que foi a política de Trump em relação à Europa, isto é, a dissonância Bruxelas-Washington, e a dependência do governo de transição para com o governo Trump, até porque se gerou uma expectativa de que Donald Trump ia ser o salvador da política venezuelana, o que não era nem certo, nem saudável. Então claro, isso também colocou caducidade na liderança e nas possibilidades de sucesso do governo de transição de Juan Guaidó. Com a saída de Donald Trump da Administração, perderam. Enfim, são muitos fatores. Essa concorrência entre Washington e Bruxelas durante cinco anos, em que uns dizem uma coisa e outros dizem outra, encravou a política venezuelana. E houve consequências. A Venezuela é um tema com muitos matizes, por vezes temos a tendência de o simplificar e isso acontece na luta entre ditadura e oposição. Digo-o como torturado: eu estive nas entranhas do sistema, eu sei que as coisas não são sempre a preto e branco; há sempre gente boa e má e ninguém é totalmente bom ou totalmente mau. Há corrupção na oposição e corrupção no regime. Mesmo nos partidos da oposição há pouca democracia interna e há muitos matizes e entraves a que haja resultados diferentes dos que tivemos nos últimos 20 anos.

O que lhe parece a proposta de Washington de considerar levantar as sanções à Venezuela em troca de negociações do governo com a oposição?

No que diz respeito às sanções, é um tema muito sério. Mas é preciso determinar primeiro o que são as sanções. Há sanções a responsáveis por violações dos direitos humanos. Por exemplo, imagine que o Ricardo Alexandre é um funcionário do regime X. Ele, na sua posição de poder, foi responsável pela violação sistemática dos direitos humanos. Cometeu crimes graves. Nessa posição, nesse país X, não há estado de direito. As instituições não podem garantir o respeito da dignidade e dos direitos fundamentais. O que faz a comunidade internacional? Fica de braços cruzados perante isto? Porquê? Não é só um problema moral e ético, também é uma questão de compromissos internacionais. A UE e os EUA, por exemplo, estão comprometidos com a defesa dos direitos humanos, dentro e fora das suas fronteiras. Há Convenções, há a Declaração Universal dos Direitos Humanos, ou as convenções sobre a tortura. O que fazem os EUA? Quando detetam que o funcionário é responsável por essas violações e torturas, têm de o castigar, não há outra forma de o fazer senão sancioná-lo. Já que não podemos ir ao seu país, vamos garantir que não tem impunidade fora do seu país ou dentro dos EUA; ou seja, não permitir impunidade a essa pessoa, isso é a sanção. E depois há sanções a responsáveis do regime e às suas instituições. As sanções não são um jogo, é como o papel-moeda. Se imprimes muito e jogas com isso, vai perder valor. As sanções são um dos pouco mecanismos que temos a nível internacional para fazer frente a um regime que viola os direitos humanos. Isto tem sobretudo um efeito dissuasor. Ao ser o Ricardo sancionado, o colega que está ao lado vai pensar duas vezes antes de cometer as mesmas violações dos direitos humanos. Não vai querer ser o próximo. Não fica completamente impune, há uma comunidade internacional que vai responder às violações que ele está a exercer e ele pode ser castigado internacionalmente pelo que está a fazer. E se, por acordos políticos que não significam nada, levantamos as sanções ao tal funcionário, um dia destes alguém agarra um jornalista, prende-o e tortura-o e nada acontece. Sanções não são uma barganha para dirigentes políticos trocarem à volta de uma mesa de café, do género "dá-me a autorização para o meu partido participar nas eleições e eu influencio para te tirarem as sanções". Por exemplo, a vice-presidente Delcy Rodriguez, que é alvo de sanções da UE pela sua responsabilidade na violação sistemática dos direitos humanos, entrou em território europeu e saiu. Qual é a seriedade e rigor disso? Que mensagem passas a esse regime quando sancionas alguém e permites que circule livremente? Ou quando jogas com as sanções só porque o regime permite que fulanito participe nas eleições? Passas a mensagem de que podes continuar a fazer o que te der na real gana, não é uma coisa séria. Por isso, a partir da Europa, eu e muitos temos trabalhado no sentido de que conseguirmos um regime europeu de sanções. Um marco jurídico na Europa que permita sancionar uma pessoa em qualquer parte do mundo. Creio que uma pessoa que viola direitos humanos deve sofrer as consequências dos seus atos e isto não pode ser algo que se troca como uma barganha. Creio que é preciso ser muito prudente com essa proposta dos EUA na gestão desta política, tanto para sancionar como para levantar sanções e não se deve tratar o assunto com tanta ligeireza.

Mas relativamente à circulação de dirigentes do governo venezuelano pela Europa, não pensa que pode ser importante para a União Europeia manter pontes de diálogo?

Não, não, de todo. Sabe, a Europa é um território livre, democrático. Parece-lhe justo que um militar ou um funcionário que ordena a tortura, o assassinato, os desaparecimentos, encerramento de meios de comunicação, perseguição a jornalistas, alguém que comete tantos crimes, possa entrar e sair da Europa como um normal cidadão? Com o dinheiro que roubam na Venezuela e os negócios que fazem na Europa, parece-lhe justo? Que lhe acontece a si se sequestrar uma rapariga e a encerrar no sótão da sua casa e a torturar durante quatro anos? Que lhe vão fazer? Vai ser preso porque cometeu um delito grave. Porque é que outros o podem fazer? Parece-lhe justo que enquanto crianças morrem num hospital, não só porque roubaram dinheiro, mas porque não permitem que entrem medicamentos -porque as sanções económicas não são a causa para a falta de medicamentos, já que armas eles compram -, e que o responsável disso, o responsável pela morte dos doentes renais, possa vir fazer férias de verão para a Europa, parece-lhe justo?

A Venezuela denunciou que as sanções impostas pelos Estados Unidos estão a impedir a chegada de vacinas contra a Covid-19, afetando o programa de imunização da população local...

Isso é mentira! Completamente mentira! Podem comprar armas, mas vacinas não!? É uma chantagem. Dizem isso para que lhes levantem as sanções e possam continuar a fazer negócios. Não há vacinas na Venezuela porque eles usam isso como arma de arremesso. Estes regimes, e isso aprenderam muito bem com Cuba, buscam reduzir e minimizar o indivíduo. Quando uma pessoa tem fome, em que é que pode pensar? Liberdade? Democracia?

Isso é o que necessitam mais os venezuelanos hoje em dia, alimentação?

Alimentação, saúde, e isso é o que o regime impede. Na Venezuela há fome desde muito antes das sanções. Não há medicamentos desde muito antes das sanções. Não há gasolina, porque o regime destruiu o aparelho produtivo venezuelano. Para quê? Para que o militar, que não produz nem alimentos nem medicamentos, possa fazer negócios, importar e ficar com as comissões. E esse militar mete ao bolso milhares e milhares de dólares. Portanto, vai ser leal ao regime. E se tiver que torturar e assassinar para manter o poder, e para que o seu filho estude numa universidade de luxo na Europa, ou para a sua família ter um apartamento de luxo em Madrid, se tiver de torturar, porque é que não o vai fazer? Aqui em Espanha sabe-se quem são as pessoas do regime venezuelano que compraram os apartamentos nos bairros mais luxuosos de Madrid. E em Portugal, as pessoas também sabem quem é que está a comprar os edifícios mais caros. Ou seja, creio que é imoral e injusto que a Europa seja um espaço de liberdade para os violadores de direitos humanos. Não e não! A Declaração dos Direitos Humanos é algo universal. Todos temos a obrigação de promover e defender a dignidade humana. E, nesse sentido, é preciso agir! Fazem tratados económicos, vendem-lhes armamento, a regimes que violam sistematicamente os direitos humanos! Não está bem!

Fale-me um pouco mais de si, Lorent. Quando começou o ativismo político?

Desde jovem, tive sempre muita sensibilidade para os temas sociais e humanitários. Claro que, quando Hugo Chávez chegou ao poder, eu tinha 10 anos, só sabia que era um militar que tinha estado preso por ter tentado um golpe de Estado e diziam que tinha assassinado muita gente inocente. Atrás daquele sorriso e da simpatia que gerou, neste caso aqui na Europa, havia um assassino. Um militar assassino que chega ao poder em 1998. A nossa geração foi crescendo com o aprofundamento e fortalecimento da ditadura militar.

Os seus pais eram da chamada classe média? O que é que faziam profissionalmente?

O meu pai é militar reformado da Força Aérea - antecipou o que viria a acontecer porque não estava de acordo com que os militares governassem; sabe como são capazes de levantar armas contra civis - e a minha mãe é costureira. Não sou de nenhuma elite económica, é uma família de imigrantes que fugiram da Palestina, de Ramallah. Não somos tipo yankees, nem capitalistas, nem nada. Mas sim, tive uma educação privada e, quando cheguei à universidade, já tinha percebido o que eram os centros de estudantes no secundário, no colégio já focávamos muito os temas ambientais e da proteção da vida animal, mas sobretudo os temas artísticos, isso foi mais entre os 14 e os 17 anos. Na universidade, começo a estudar comércio internacional e isso coincide com o encerramento do principal meio de comunicação e a perseguição aos jornalistas por parte do governo de Chávez. Ao mesmo tempo, também estavam a impulsionar uma nova lei universitária com que pretendiam tomar o controlo das universidades na Venezuela. Isso levou-me ao contacto com os diferentes líderes estudantis das universidades do país e organizámos o movimento estudantil venezuelano. Tinha então 18 anos. Formámos esse movimento para enfrentar a ditadura de Hugo Chávez, defendendo essencialmente a liberdade de expressão e o direito ao livre pensamento. Fui aprofundando mais esse tema, que foi, aliás, desde muito novo, o que sempre me chamou mais a atenção. Era muito pequeno quando li uma revista da Amnistia Internacional que dizia em título: Defender os direitos humanos é a profissão mais perigosa do mundo". Ler isso em pequenito é... quem é esse super-homem ou homem-aranha? Conheci histórias de gente em África, na Ásia, na América, que defendiam os direitos das mulheres, o direito à saúde, e apaixonei-me por esta área. Na universidade pude trabalhar mais nisso, no início muito sobre a perseguição política, o que me levou a percorrer o país, saindo do espaço da universidade e relacionando-me com outras realidades distintas da minha, de outros setores da sociedade, entendendo muito os matizes e as dimensões do conflito. Mas, como líderes estudantis, acabámos por nos colocarmos mais na mira do aparelho de segurança venezuelano, atacaram-me, torturaram-me. Pelo seu lado, o regime também se foi aprofundando, e o risco foi subindo mais e mais. Paralelamente à perda de popularidade do regime, aumentava a repressão e a violência. Era como compensavam a falta de popularidade. Com chumbo. Enquanto os preços do petróleo estiveram altos, mantinham uma política internacional de grande aparência, mas, quando baixavam, havia menos dinheiro para comprar, e só substituíam isso com mais chumbo. E isso chega à sociedade civil. Finalmente, em 2014, sequestram-me em Bogotá.

Foi detido várias vezes e teve que ir para a Colômbia...

A princípio, fui para a Costa Rica já que tinha contactos com costa-riquenhos desde muito jovem, porque lá estava o tribunal interamericano dos direitos humanos, conversámos e tivemos muito apoio do ex-Presidente da Costa Rica, Óscar Árias, Prémio Nobel da Paz. É um país sem exército nem militares, um país muito avançado em matéria de direitos humanos. Era um bom lugar para fazer ativismo internacional, como defensor dos direitos humanos com uma visão universal. Mas chega 2014 e há uma repressão muito grande contra estudantes na Venezuela, com assassinato sistemático de estudantes, e, por isso, viajo para a Colômbia. Nesse mesmo ano, a Venezuela retira-se do sistema interamericano de justiça e eu e os meus companheiros na Costa Rica tentámos evitar que a Venezuela se retirasse, que era uma exigência de Chávez. Tratámos de travar isto, não conseguimos e, passada uma semana, começa uma repressão muito forte com o assassinato de estudantes, e procurámos apoios de presidentes, ex-presidentes, diplomatas, influencers internacionais, para mediar e conseguir que o regime baixasse a repressão contra os estudantes. Fui à Colômbia para isso, para falar com Juan Manuel Santos, que, nessa altura, era Presidente da Colômbia e tinha uma relação próxima com Hugo Chávez. Como tem agora com Maduro. E acreditávamos que Juan Manuel Santos, por ser Presidente da Colômbia, poderia ajudar-nos. Mas, ao mesmo tempo, na Colômbia, Santos estava, na altura, a tentar um acordo com as FARC. O que é que acontece? Estas negociações com as FARC decorriam em Havana, e um dos signatários, como testemunha negocial, era Nicolás Maduro. E assim, o regime venezuelano chantageava a Colômbia com a guerrilha. Todos sabemos que a guerrilha colombiana e muitos cartéis da droga colombianos financiaram a campanha de Hugo Chávez e houve uma relação que foi assumida pelo regime de Caracas, com as FARC e o ELN, o outro grupo guerrilheiro. Então, houve sempre essa chantagem e esse jogo com a guerrilha e o governo colombiano.

No seu caso pessoal, em várias intervenções na televisão, líderes governamentais acusaram-no de ter ligações com paramilitares colombianos e com o ex-Presidente Álvaro Uribe, e de planear golpes e atividades terroristas na Venezuela...

Quando decides defender os direitos humanos, o que é que fazes? Incomodas o poder estabelecido. Muitas vezes, o poder define-te como de esquerda e comunista, outras vezes de direita e capitalista e tu vais incomodá-lo, independentemente de onde te situes. Para alguns no regime, eu sou de ultra-direita, fascista, inclusivamente neonazi, com esta cara de índio! Para outros, por exemplo pela minha crítica à Administração Trump, sou um comunista! Se denuncio o que se passa na Arábia Saudita, sou um sionista! Eu, que sou palestiniano, filho de refugiados! Se denuncio o que se passa em Cuba, sou um fascista! Se denuncio o que se passa na China, sou um agente da CIA! Se denuncio o que se passa no Brasil, sou membro do fórum de São Paulo e da esquerda latino-americana! Se critico o que faz o presidente de El Salvador e na forma como politiza a justiça, sou membro do PSOE! Então, digamos que já é altura, depois de andar há uns quantos anos nisto, tudo bem, serei tudo aquilo que me queiram dizer. O que é que aconteceu: o governo colombiano sequestra-me e entrega-me ilegalmente, como concluiu a própria ONU, ao regime venezuelano. Estive preso mais de quatro anos e até ao dia de hoje não houve um julgamento. Não houve sequer uma audiência preliminar. Nunca passei por um processo judicial. E estive mais de quatro anos preso.

Como eram as suas condições na prisão conhecida por La Tumba?

La Tumba é um centro de tortura. Tento sempre escapar a esse tema, mas pronto (risos)... La Tumba é um centro de tortura que, lamentavelmente, não é exemplo único, nem na Venezuela nem no mundo. Tem algumas características, uma é ser debaixo de terra. Numa cave, num lugar de morte, especializado em tortura branca, um tipo de técnica de tortura que visa a completa privação sensorial e isolamento. São cinco pisos abaixo do solo, na Praça Venezuela. Imagine-se que no centro de Lisboa há um centro de tortura [já houve, Lorent, já houve, até 1974. No Chiado, Rua António Maria Cardoso, a sede da PIDE], um edifício bastante moderno, que é dos serviços de informações. Por ali passa o metropolitano e debaixo do metropolitano há seis celas, com câmaras de segurança, e usam a temperatura, a luz, o som, para molestar e torturar uma pessoa.

Foi torturado?

Sim, claro. Atualmente, parte do meu trabalho com o Parlamento Europeu tem que ver com a luta contra a tortura e demonstrar esses pontos negros que continuam a existir no sistema de proteção internacional, porque há muitas formas de torturar uma pessoa sem lhe tocar com um dedo e, ainda assim, mantê-la sob um sistema de tortura. E La Tumba é um sistema criado para torturar opositores e dissidentes da ditadura e está sob o poder do Serviço Venezuelano de Inteligência Nacional (SEBIN) e da polícia política venezuelana. É um lugar terrível que, durante muitos anos, se manteve oculto e uma das coisas que conseguimos foi divulgar o que se passava naquele lugar, para que o mundo soubesse. Estive lá preso dois anos. Foi uma luta muito forte a nível internacional, impulsionada pela minha família e com o apoio de instituições como o Parlamento Europeu que conseguimos que me tirassem desse lugar e me levassem diretamente para o SEBIN, uma prisão política muito famosa na Venezuela porque a usaram também os governos anteriores para prender Chávez, criada por uma ditadura militar de direita. Era também um centro de tortura. Aí estive e sofri durante os meus quatro anos de prisão, nos dois principais lugares de tortura e detenção política venezuelanos, com as suas características muito distintas. Como defensor de direitos humanos, como ser humano, como jovem entre os 26 e os 30 anos, que foi quando saí, foi muito doloroso, foi horrível. Mas também me permitiu sair com vida e crescer muitíssimo, conhecer-me a mim mesmo, conhecer de que é feito o ser humano numa cela de prisão.

É uma dimensão tão obscura como a própria tortura e crueldade, conhecer as entranhas de um sistema que eu denunciava há anos, quando denunciava a perseguição política, a tortura, mas ali estava a vivê-lo na primeira pessoa. Para mim, experienciar, conhecer, analisar o que estava a acontecer e porque um ser humano podia fazer aquelas coisas debaixo das ordens de um regime. Foi uma experiência altamente dolorosa, mas que também me deixou uma pegada que me compromete a hoje, depois de vários anos, ter esta conversa e dizer: "Olha, é isto que está a acontecer". E não podemos ficar de braços cruzados. Enquanto nós estamos a falar, Ricardo, sabes bem que há gente que está a ser torturada. Não apenas na Venezuela, mas em muitos lugares do mundo, quem sabe em Portugal ou em Espanha. Talvez com menos frequência do que em outros países de fora da Europa, mas também aqui pode acontecer e temos de entender a tortura mais além do estereótipo ditadura-oposição, segurança-terrorismo, mas sim como uma ação humana que se pode exercer e que pode acontecer no lugar onde vives, na tua área de trabalho, na tua escola, na tua comunidade, por razões muito diversas. Muitas pessoas sofrem a tortura como parte de um sistema de corrupção interna destes organismos, onde o funcionário tortura e molesta um detido com o objetivo de que a família daquele detido lhe dê dinheiro para que deixe de o torturar. A tortura também acontece como parte de uma resposta sádica de uma pessoa que tem sob sua responsabilidade uns seres humanos numa jaula.

Então, a prisão permitiu-lhe conhecer os limites da barbaridade, mas também os limites de si próprio?

Exato, exato.

Quando foi libertado, a 12 de outubro de 2018, já tinha sido galardoado com o Prémio Sakharov. Foi um dos oito venezuelanos premiados, sendo um dos representantes dos presos políticos enumerados pelo Fórum Penal Venezuelano. Foi importante este prémio para a Liberdade de Pensamento atribuído pelo PE?

Sim, totalmente, porque nessa altura já tinha sido tomado por alguma desilusão, estava cansado, porque ser preso político é muito mais horrível que ser preso de delito comum. Mas ser defensor de direitos humanos, preso num centro de tortura, é muitíssimo pior, porque não é tanto o que te fazem a ti, mas seres testemunha do que fazem aos outros, isso é horrível, é pior. Estava física e psicologicamente esgotado, espiritualmente e emocionalmente cansado, e do outro lado do planeta Terra, a milhares de quilómetros de distância, diziam-me: "Estamos contigo", "estamos convosco", "não estão sós". Naquela solidão, isso, para mim, foi um abraço que senti. Repara, as possibilidades de que eu saísse em liberdade, até aí, eram zero. Já me tinha convencido disso. Já tinha assassinado a esperança de ser livre.

Porquê?

Imagina: estar preso é horrível, mas não estávamos só presos, estávamos sequestrados. E há algo que se chama incerteza. Quando se atropela uma pessoa, vamos a julgamento e podem determinar que somos culpados de um homicídio com dolo. Mas temos data para sair, sabemos que, no dia tal e à hora tal, vamos estar na rua. Mas quando estás sequestrado por uma ditadura, e não tens julgamento nem nada, não sabes se vais sair hoje, amanhã ou nunca. E essa incerteza é horrível, por isso é preferível convenceres-te de que vais morrer ali e deixares de pensar e estar angustiado sobre se te libertam ou não. Quando uma pessoa toma a decisão de defender os direitos humanos, tem de assumir as suas consequências. Como um jornalista quando decide ser jornalista, assume um monte de consequências e de possibilidades, como, por exemplo, ser perseguido por informar o mundo daquilo que está a acontecer. Se és preso por defender os direitos humanos, e estás a morrer e doente, num lugar assim como eu estive, o pior que te pode acontecer é achares que não faz sentido estares ali. O prémio Sakharov senti-o assim como um abraço de quem sabia o que eu estava a fazer e me apoiava. São coisas importantíssimas para o reconhecimento. É essencial nas transformações, no futuro. É importantíssimo para um defensor dos direitos humanos ou do meio ambiente, porque lhe dá sentido ao esforço e sacrifício que faz pelo bem-estar de muitos. Desse ponto de vista, o Prémio Sakharov é muito importante. Agora, hoje também é um mecanismo, uma plataforma, para poder ajudar muita gente que está nesta posição, é algo que te permite amplificar muito a voz. Hoje em dia, converteu-se num dos passos mais importantes para os defensores dos direitos humanos. Estou, e sei que como eu muitos também estão, completamente e eternamente agradecidos ao esforço que fazem os eurodeputados, os funcionários, todas e cada uma das pessoas do gabinete Sakharov, ao trabalho que fazem no Parlamento Europeu em matéria de direitos humanos. Há muita coisa que não se vê, talvez, mas, por detrás da equipa do prémio Sakharov, em Bruxelas, há muito trabalho, há vontades que se somam e fazem coisas; são pequenos grãos que ajudam a fazer esse grande abraço solidário.

Quando foi libertado, foi sob a figura do exílio...

Sim, quando me tiraram da cela, eu não o esperava. Estava completamente convencido de que ia morrer ali. E, nesse dia, estava na cela, aliás, com um regime de castigo muito forte porque tínhamos feito, uns meses antes, um motim, tínhamos tomado o controlo da prisão e feito vídeos com informação sobre as torturas que eles faziam. Então, acabaram por libertar alguns dos meus companheiros, mas eu continuei preso. Só à espera que a minha mãe ou a minha noiva me levassem alguma coisa de comida decente, que era algo que não me davam. E, nesse dia, tiram-me da cela e dizem que querem falar comigo. Mas não são claros e como, uns dias antes, tinham matado o Fernando Albán, lançando-o por uma janela do SEBIN, então fiquei assustado e pensei que me fossem fazer o mesmo, dizendo que eu tinha tentado escapar. Esperas sempre o pior, nunca podes esperar algo de bom dos teus captores. Dizem-me que começa um novo processo, uma nova etapa na minha vida, que a comunidade internacional pediu a minha liberdade: "Vamos tirar-te daqui, mas não podes regressar mais à Venezuela". Quando te dizem isso, é duro, porque sentes que vais ser livre, mas fazem-te sofrer, fiquei com vontade de dar pontapés na mesa. Continuam a fazer-te sofrer. Então, montaram umas patrulhas e levaram-me ao aeroporto.

Diretamente da prisão para o aeroporto?

Diretamente! A minha mãe e a minha namorada estavam lá fora, à porta da prisão, e disseram-lhes: "Não, hoje não se entrega comida". Foram para casa. Quando sai o rumor de que me estavam a tirar dali, o mais certo é que pudesse estar a regressar para La Tumba. Entretanto, eu perguntava: "Onde está a minha família? Onde estão os meus advogados?". E eles diziam: "Não, ninguém pode saber disto". Sabes, eu dirigi processos de libertação de presos políticos e sei que há sempre um setor da ditadura que está disposto a libertar e outro que não. Como na oposição, na ditadura também há divisões. A alguns convêm mais os acordos e a outros menos. Então, consegui ligar à minha mãe quando já estava metido no avião, ligou-lhe o embaixador de Espanha, a minha mãe ficara como louca a ligar para toda a gente, a tentar saber onde me tinham metido. Nem a deixou falar: "Escute, está connosco, estamos num avião num voo de Caracas para Madrid, estamos a descolar". É assim que a minha mãe fica a saber que eu fui libertado. A única coisa que me meteram numa bolsa foi uns livros e uma cédula assinada. E lá estava eu, numa avião, com um embaixador e um secretário, parecia um sonho. Pensei que estava a sonhar: "Não te emociones, vais acordar e vais ver que continuas na prisão". E foi um processo, aceitar que era uma realidade viva, não foi fácil também.

Conseguiu ver a sua mãe depois disso, depois de sair em liberdade?

Claro, vieram para Espanha, a minha mãe e a minha noiva. A Venezuela também ficou aberta para elas saírem. Ficaram à mercê do que eles quiseram fazer e o governo de Espanha, através da embaixada, aceitou os preparativos e, uma semana depois, vieram a minha mãe e a minha companheira e pedimos asilo.

Desde então, como tem sido a sua vida em Espanha?

Bem, há que acostumar à liberdade. Os humanos são domésticos, especialmente domésticos. E é voltar a aprender ser livre. Para mim foi também uma descoberta que, quando a polarização aumenta e quando toda a vida nacional é politizada, danos antropológicos são feitos e muito ressentimento é gerado. E, às vezes, um prisioneiro político não é perdoado por sair ileso. Como se fosse melhor morrer, "prefiro que morra aí". Mas se não sais doente, cheio de ferimentos, consideram mau. Foi o que senti da parte dos meus colegas. E eu entendo, porque eles também estão muito magoados. Eles prefeririam que eu saísse a odiar o planeta, a dizer atrocidades, mas eu não poderia sair de lá ressentido, porque senão era como se continuasse na prisão. Ressentimento e ódio são as formas mais eficazes de opressão. Então, a minha vida em Madrid tem implicado aprender a ser livre. Aprender a sorrir sem culpa, a rir sem culpa, pois, além disso, ficamos sempre com a dor de que o mal continua. Muda a nossa realidade, mas muito permanece na mesma. Antes de falar contigo, estava a conversar com um funcionário do Ministério das Relações Exteriores espanhol sobre o tema dos direitos humanos. Disse-lhe que o principal obstáculo e a principal ameaça dos Direitos Humanos é a polarização. E a minha nova vida mostra a polarização.

Por exemplo: quando saí, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, a alta comissária dos direitos humanos da ONU... Durante o seu governo, era muito próxima e tinha muita empatia com Chávez. Hoje dirige a mais alta autoridade em direitos humanos do mundo. Quer dizer, não foi minha decisão que ela esteja nessas funções. Eu não a escolhi. Desde que dediquei minha vida à defesa dos direitos humanos e desde a minha primeira greve de fome em 2007 que quis chamar a atenção do Alto Comissariado para os Direitos Humanos. E a Bachelet telefona-me e pede-me para falar com ela. Para um defensor dos direitos humanos, poder ser ouvido, apresentar provas e queixas ao Alto Comissário, é como para um líder de um partido político chegar a um governo.

Talvez não aconteça nada, mas eles não vão poder dizer que eu não falei - não vão poder dizer: "Não sabíamos o que estava a acontecer", para dizer que não agiram. É nossa missão. Para mim, foi muito importante porque lutei por isso toda a minha vida. Foi um momento emocionante quando pude conhecê-la. Mais: fui a primeira pessoa da sociedade civil que pôde falar com ela nessas funções. E, bem, ela também sofreu a perseguição de uma ditadura. Havia essa ligação além das ideologias ou teias políticas, uma ligação humana. Olhámos nos olhos um do outro e dissemos coisas um ao outro, Abraçámo-nos, chorámos. Para mim, foi muito importante, como te disse. Mas depois tornou-se um dia muito doloroso, um dos mais dolorosos da minha vida. Recebi mensagens como estas: "Maldito degenerado!", "Eu gostaria que tivesses morrido naquela prisão", "É por isso que te libertaram, para ires brincar. Para falares com uma socialista, para falares com uma comunista".

Imagine-se a polarização! Eu não fui falar com a ex-presidente do Chile. Não sei como falar com Michelle Bachelet. Fui falar sobre isso com o Alto Comissariado dos Direitos Humanos, não me importa se foi o Uribe ou ela. Eu ia dizer exatamente o mesmo. E, naquele momento, tudo isso me afetou muito, embora não seja o mesmo, não é o mesmo Uribe que Bachelet, claro, ela viveu uma ditadura. Para mim, foi fundamental porque ela também vem da esquerda latino-americana, mais próxima do regime venezuelano. Ser capaz de discutir isso com ela era essencial. Se um partido de extrema-direita me convida para falar numa conferência deles sobre direitos humanos, não penso duas vezes. Entre ir falar ao PSOE ou ir a um partido de extrema-direita, vou ao partido de extrema-direita, porque as possibilidades de que sejam violadores dos direitos humanos são maiores do que as do PSOE. Se tenho que escolher entre ir ao PP ou ir falar num partido comunista militar, vou a estes, porque é mais possível que viole os direitos humanos do que o PP. Por outras palavras, enfrentar a polarização tem sido o meu principal desafio. Portanto, a minha vida como ativista dos direitos humanos tem sido assim. Talvez nem todos entendam. E a minha conclusão, depois de conversas com psiquiatras, psicólogos, pais, filósofos, metafísicos, comigo mesmo e a minha almofada, é que não tenho mais nada a não ser agradecer ao universo. Pelo que vivi nesses anos, hoje posso apreciar e desfrutar das coisas de uma forma que, certamente, não poderia. Eu não posso ver o sol da mesma forma que há anos atrás. Não conseguiria ver as estrelas da forma que as vejo depois de passar tantos anos desejando vê-las à noite. Não conseguiria desfrutar da minha família da mesma forma que aproveito agora, depois de passar tanto tempo sem a ver. Nós vivemos tão rápido que nos esquecemos de tantas coisas que são essenciais! E em países como Portugal ou Espanha, na Europa, em que vivemos em liberdade e democracia, não devemos esquecer isso, porque tu e eu podemos falar sem medo, venho para casa e não tenho medo que me venham perseguir pelo que estou a dizer, mas tudo isso não é de graça. É o resultado da luta e do trabalho de milhares de pessoas, ao longo de muitos anos, e não há garantia de que amanhã continuará a ser assim. Nem há garantia de que amanhã vejamos o sol novamente e desfrutemos do sol e das estrelas.

A forma como desfruta agora também lhe dá esperança para o futuro da Venezuela? Ou não?

Sim, a Venezuela é uma questão complicada. Prefiro ler, interpretar e formular o que acontece na Venezuela mais do ponto de vista social. Mesmo espiritual, não religioso, mas espiritual, que do ponto de vista meramente político; aí não funciona. Uma pessoa como Nicolás Maduro, como Delcy, ou como os líderes da oposição, por mais grotescos ou moderados, por mais perversos ou nobres que possam ser, são o reflexo e espelho de uma sociedade. Na Venezuela, há danos antropológicos há 20 anos do intenso conflito político, de um estado de terror ao qual a sociedade foi submetida. E custará muito reparar esses danos. Acredito que a economia, por si só, está a tomar um ritmo que até os políticos não conseguem controlar, a força de um mercado interno, etc. Por outras palavras, no meio de todas as crises e tragédias, coisas novas também estão a surgir. Um movimento artístico que está aí, desenvolvem-se visões de jovens da diáspora venezuelana. Penso que, mais tarde, isto vai resultar em coisas muito interessantes. Por outras palavras, todos os jovens que tiveram de deixar a Venezuela estão a aprender, a conhecer os sistemas democráticos desenvolvidos, e todas essas experiências vão-se somando e com certeza vamos voltar para a Venezuela um dia. Não vai ser fácil. A política venezuelana sempre procurou resultados de curto prazo. Como se a batalha final fosse sempre agora: uma e outra vez, uma e outra vez. E a política não é assim. É para o projeto político. São coisas de anos e anos. Penso que temos de sair desse perigoso jogo em espiral e ver mais a longo prazo. Apostar mais na educação, na cultura, nos meios de transporte, nas ideias e hábitos que possam abrir o caminho para a democracia. Um país é democrático porque os seus dirigentes políticos insistem que a democracia é algo que se pratica, é um modo de vida, de cidadania, de construtores da paz, a prática no seu dia-a-dia, no seu trabalho, na sua escola, em casa, na sua universidade. Os venezuelanos não entendem muito bem o que é democracia. Mas já que muitos venezuelanos estão espalhados pelo mundo, bem, vamos viver numa democracia e entender como funcionam as instituições. Eu acredito que isso resulta mais do que ver se Maduro e Guaidó e Leopoldo se entendem, aí não tenho grande esperança.

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