"É preciso ter capacidade industrial." Borrell alerta que patente "não produz vacinas"

Josep Borrel defende, na TSF, que só conseguir vacinar 75% da população mundial daqui a dois anos é "demasiado tarde" e pede um equilíbrio entre a inovação e a produção de vacinas.

Primeiro, o aviso: "Não teremos 75% da população mundial vacinada antes dos próximos dois anos. É demasiado tarde." Depois, o alerta sobre como pode chegar-se à solução. Em entrevista à TSF a partir do Porto, onde decorre a Cimeira Social da UE, o vice-presidente da Comissão Europeia e Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell defendeu que mais do que libertar as patentes das vacinas contra a Covid-19, é preciso assegurar que há capacidade para as produzir.

"Precisamos de mais vacinas, mais produção e mais rapidamente, mas como conseguir isso? Há quem defenda que todos podem utilizar as patentes se estas forem livres, mas só com a patente não se consegue produzir vacinas, é preciso ter capacidade industrial", uma questão que vai estar em discussão pelos líderes europeus nos próximos dias.

Confiante num acordo que permita essa produção, Josep Borrell alerta que tal deve acontecer "no âmbito da Organização Mundial do Comércio".

O alto representante sublinha também a necessidade de comparar "vantagens e inconvenientes", assinalando desde já que "não se pode matar ou debilitar a inovação" e reforçando a noção de que a patente, por si só, "não produz vacinas".

A importância da coesão social

Sobre a coesão social europeia, um dos temas centrais da cimeira no Porto, Borrell fez notar que, tal como "nenhum país pode ser forte no mundo se internamente não tiver uma estrutura social forte e equilibrada", também na Europa as dimensões social e global dependem uma da outra.

"Somos seguramente a melhor combinação entre liberdade política, progresso económico e coesão social", sem esquecer que "mais de 20% da população europeia vive abaixo do limiar de pobreza", uma realidade a que se junta a crise pandémica.

Assim, a Europa "não pode querer ser um ator global se não consegue manter a força da coesão da sua sociedade", assinala.

A Cimeira Social decorre hoje no Porto com a presença de 24 dos 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia, reunidos para definir a agenda social da Europa para a próxima década.

Também presentes no evento, que decorre em formato online e presencial na Alfândega do Porto, estão, além de Von der Leyen, os presidentes do Parlamento Europeu, David Sassoli, e do Conselho Europeu, Charles Michel, assim como os vice-presidentes executivos da Comissão Margrethe Vestager e Valdis Dombrovskis, o Alto Representante Josep Borrell e os comissários Elisa Ferreira, Mariya Gabriel e Nicolas Schmit, além de outros líderes políticos e institucionais, parceiros sociais e sociedade civil.

Definida pela presidência portuguesa como ponto alto do semestre, a Cimeira Social tem no centro da agenda o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, que prevê três grandes metas para 2030: ter pelo menos 78% da população empregada, 60% dos trabalhadores a receberem formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas, cinco milhões das quais crianças, em risco de pobreza e exclusão social.

*com Ricardo Alexandre

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