"É uma incógnita." Lagarde precisa de capacidade "política e técnica" no BCE

Francisco Louçã realça que Lagarde é "uma diplomata" e está "relativamente distante das questões de política monetária e de política económica".

O professor catedrático de Economia e comentador do programa Pares da República, Francisco Louçã, classificou esta terça-feira Christine Lagarde, nome indicado pelo Conselho Europeu para assumir a chefia do Banco Central Europeu (BCE) como "uma incógnita".

Louçã lembra que Lagarde não é uma especialista em política monetária e que, por isso, é difícil prever o que vai fazer enquanto presidente do BCE.

"Tem um conhecimento relativamente distante das questões de política monetária e de política económica, não é área dela, tal como não era quando chegou ao FMI", destaca Francisco Louçã, acrescentando que Lagarde é "sobretudo uma diplomata".

Sobre o futuro à frente do banco central, "se poderá resistir às pressões para uma política monetária mais restritiva, como a Alemanha prefere, se manterá uma política mais expansiva ou se a consegue corrigir para a criação de investimento público e uma maior margem nos défices, isso ainda está por ver. É uma incógnita", refere.

Na análise à política seguida até aqui pelo BCE, Francisco Louçã nota que aquela que foi seguida por Mario Draghi, de "lançar dinheiro para o mercado financeiro" é "pouco eficiente" porque "não se traduziu em aumento de investimento privado", ao mesmo tempo que o investimento público fica restringido pelos défices.

Assim, só o futuro dirá se Lagarde tem capacidade política e técnica para enfrentar os desafios que possam surgir e que, no BCE, são "muito grandes".

"O Euro continua a ter problemas de arquitetura muito complicados, Draghi foi o único que os percebeu. Atuou fazendo baixar as taxas de juro", explica.

Em princípio, adianta, "Lagarde perceberá que esta é a única estratégia viável, mas está em vias de se esgotar". Para responder a estas dificuldades é preciso ter, acrescenta, "uma grande capacidade política e técnica perante as autoridades europeias. Veremos se Lagarde tem uma, outra ou as duas".

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