"É uma medida muito forte." Arménia aplaude reconhecimento pelos EUA do genocídio

Biden é o primeiro Presidente dos Estados Unidos a qualificar como genocídio a morte de 1,5 milhões de arménios às mãos do Império Otomano.

O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pachinian, saudou a decisão histórica do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de reconhecer o genocídio arménio cometido pelo Império Otomano em 1915.

Numa mensagem na rede social Facebook, Pachinian agradeceu ao Presidente norte-americano pela "medida muito forte em termos da justiça e da verdade histórica", que oferece um "apoio inestimável aos descendentes das vítimas do genocídio arménio".

O reconhecimento do genocídio constitui "um exemplo encorajador para todos que querem construir uma sociedade internacional justa e tolerante", adiantou o chefe do governo arménio.

Biden tornou-se, este sábado, no primeiro Presidente dos Estados Unidos a qualificar como genocídio a morte de 1,5 milhões de arménios massacrados pelo Império Otomano em 1915.

O genocídio arménio é reconhecido por perto de três dezenas de países, incluindo Portugal, e muitos historiadores, mas é contestado vigorosamente pela Turquia (herdeira do Império Otomano), aliada dos Estados Unidos na NATO.

"O povo americano homenageia todos os arménios que morreram no genocídio que começou há 106 anos", disse Biden na sua declaração, explicando que a sua intenção era "homenagear" a memória e a "dor" dos imigrantes arménios que vieram para os Estados Unidos após o massacre, e os seus descendentes, que nunca esqueceram aquela "história trágica".

Em 2019, tanto o Senado como a Câmara dos Representantes aprovaram medidas que descrevem o massacre de 1915 como "genocídio", apesar das advertências do governo turco de que isso prejudicaria seriamente as relações bilaterais.

"Não estamos a fazer isto para culpar, mas para garantir que o que aconteceu nunca mais se repete", frisou Biden.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou que "debates - que deviam ser mantidos por historiadores -- sejam politizados por terceiros e se tornem um instrumento de interferência" no país, enquanto o seu chefe da diplomacia, Mevlut Cavusoglu, declarou que a Turquia não tem "lições a receber de ninguém sobre a sua história".

Ancara recusa a utilização do termo "genocídio" e rejeita qualquer sugestão de extermínio, evocando massacres recíprocos num cenário de guerra civil e fome que causou centenas de milhares de mortes de ambos os lados.

O início dos massacres dos arménios pelos otomanos há 106 anos foi assinalado este sábado, em Erevan, por milhares de pessoas com um desfile e uma missa.

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