Economistas pedem ao G20 registo mundial de bens para visar oligarcas russos

Segundo estimativas realizadas pelos economistas que assinaram a carta, os oligarcas russas detêm "pelo menos um trilião de dólares de riqueza no estrangeiro".

Vários economistas, incluindo o francês Thomas Piketty e o norte-americano Joseph Stiglitz, exortaram o G20 a criarem um registo global de bens para melhor visar as fortunas escondidas dos oligarcas russos.

"O caso dos oligarcas russos fala por si" na ocultação de fortunas dentro de estruturas opacas, dizem os economistas, numa carta publicada esta terça-feira no diário britânico The Guardian e dirigida aos líderes do G20.

Os oligarcas russas detêm "pelo menos um trilião de dólares de riqueza no estrangeiro", segundo estimativas incluídas na carta, assinada pelos franceses Thomas Piketty e Gabriel Zucman, bem como pelo prémio Nobel norte-americano Joseph Stiglitz, todos membros da Comissão Independente para a Reforma Fiscal das Empresas Internacionais, um grupo de reflexão.

Estas fortunas estão frequentemente escondidas "em empresas 'offshore' cujos verdadeiros proprietários são difíceis de determinar", continuam, acrescentando que "é precisamente este muro de opacidade que os esforços dos países para os castigar estão agora a enfrentar".

Várias grandes fortunas russas foram alvo de sanções ocidentais após a invasão russa da Ucrânia, incluindo o presidente do clube de futebol do Chelsea, Roman Abramovich, e Igor Setchine, o dono de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, a Rosneft.

Para ir mais longe, a comissão formada pelos economistas apela ao estabelecimento de um registo global de bens, "ligando todos os tipos de bens, empresas e outras estruturas legais não ao seu proprietário legal, que muitas vezes é apenas uma fachada, mas ao proprietário beneficiário, a pessoa que efetivamente os possui".

A carta defende a criação de uma rede que ligue todos os registos nacionais de bens já existentes, para tornar as sanções internacionais e a luta contra a evasão fiscal mais eficaz a nível mundial. Os registos incluiriam desde contas bancárias, a ativos imobiliários e de criptomoedas, bem como de obras de arte.

Seguindo o exemplo de uma medida proposta em dezembro pelo Laboratório Mundial da Desigualdade, que depende da Escola de Economia de Paris, os signatários propõem que os Estados recolham esta informação a nível nacional e depois estendam gradualmente a cooperação ao nível regional e global.

"Ainda há muito a fazer para reformar um sistema financeiro internacional deficiente que atualmente favorece os ricos que fogem aos impostos", escrevem, reconhecendo no entanto alguns progressos feitos nos últimos anos.

A publicação da carta vem antes da Cimeira de Finanças do G20, agendada para quarta-feira, e que vai reunir os países mais ricos do mundo.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou quase dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de cinco milhões das quais para os países vizinhos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

ACOMPANHE AQUI TUDO SOBRE A GUERRA NA UCRÂNIA

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de