Musk foi ao Twitter apresentar "plano de paz" para a Ucrânia. Zelensky e Kremlin reagiram

Sul-africano propôs que a Crimeia seja formalmente reconhecida como parte integrante da Rússia e a repetição dos referendos de anexação, mas desta vez sob supervisão da ONU. Zelensky respondeu na mesma moeda, o Kremlin aplaudiu-o e os internautas condenaram-no.

É mais um episódio na já longa lista de polémicas em que o fundador da Tesla se vê envolvido e, desta vez, envolve uma tentativa de, nas redes sociais, chegar à paz na Ucrânia. E tudo em menos de 280 carateres.

Tudo começou com uma sondagem em forma de tweet publicada esta segunda-feira. O empresário sugere quatro medidas para chegar à paz: "Refazer as eleições nas regiões anexadas sob supervisão da ONU. A Rússia sai se for essa a vontade das pessoas; Fazer formalmente da Crimeia parte da Rússia, já o é desde 1783 (até ao erro de Khrushchev); Garantir o abastecimento de água à Crimeia; A Ucrânia mantém-se neutra."

No final desta proposta surgem duas opções: "Sim" ou "Não". Mas Musk não se ficou por aqui. Vestindo a pele de analista, defendeu que "esta será muito provavelmente a resolução da guerra - é apenas uma questão de quantos morrem até lá", mas quis também assinalar que "outro possível, mas improvável, resultado deste conflito é uma guerra nuclear".

Por fim, uma outra achega: perante as reações à sondagem original, o fundador da Tesla tentou uma abordagem diferente. "Experimentemos então isto: a vontade dos povos que vivem no Donbass e na Crimeia deve decidir se são parte da Rússia ou da Ucrânia", lê-se num outro tweet. As hipóteses de resposta são as mesmas: "Sim" ou "Não".

E o resto nasceu do ciclo de vida inevitável de um tweet de alguém com mais de 107 milhões de seguidores.

O perfil de Zelensky demorou menos de duas horas a reagir na mesma moeda. Um tweet que é também uma sondagem: "De que @elonmusk (Elon Musk) gostam mais? Do que apoia a Ucrânia. Do que apoia a Rússia."

Quatro horas volvidas, Musk defendia-se: "Continuo a apoiar muito a Ucrânia, mas estou convencido de que uma escalada massiva da guerra vai causar grandes danos à Ucrânia e possivelmente ao mundo."

Mas antes, já Mykhailo Podolyak, conselheiro do Presidente da Ucrânia, tinha deixado também uma proposta que até apelidou de "melhor".

"1. A Ucrânia vê os seus territórios desocupados. Incluindo a Crimeia anexada. 2. A Rússia sofre uma desmilitarização e desnuclearização obrigatória e não pode ameaçar mais os outros. 3. Os criminosos de guerra são sujeitos a um tribunal internacional", lia-se no tweet com que também participou na discussão.

Kremlin gostou disto

Do outro lado da barricada, o Kremlin gostou do que viu de Musk. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse numa conferência de imprensa ser "muito positivo que alguém como Elon Musk esteja à procura de uma saída pacífica desta situação".

"Em comparação com muitos diplomatas de profissão, Musk ainda está à procura de chegar à paz. E chegar à paz sem cumprir para com as condições da Rússia é absolutamente impossível", aproveitou para acrescentar.

Citado pela Reuters, Peskov também defendeu que "há bots (contas automatizadas) a votar na sondagem" de Musk, mas não apresentou provas.

O veredicto do pássaro azul

Passadas 24 horas sobre a proposta do multimilionário, a resposta da comunidade do Twitter foi conhecida: o "Não" venceu com 59,1%.

Já a questão que colocou sobre se devem ser os habitantes da Crimeia e do Donbass a decidir se querem fazer parte da Rússia foi bem acolhida: o "Sim" recolheu 59,3% dos votos.

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