Embaixador demissionário dos Estados Unidos defende abordagem dura com a China

Embaixador concordou que Pequim reagiu geralmente à pressão retaliando na mesma moeda, desde o encerramento de consulados até à imposição de taxas alfandegárias.

O embaixador demissionário dos Estados Unidos na China defendeu esta terça-feira a abordagem dura adotada por Washington na relação com Pequim, lembrando os progressos feitos no comércio, que espera que se estendam a outras áreas.

Terry Branstad, o antigo governador do estado de Iowa que foi escolhido por Donald Trump para ser o embaixador na China, disse que o Governo norte-americano quer o mesmo tratamento para empresas e cidadãos norte-americanos na China que os chineses recebem na América.

"Acho que temos a atenção deles no comércio e estamos a fazer progressos", disse, numa entrevista à agência Associated Press, em Pequim. "Espero que possamos [ter progressos] nas outras [áreas], em termos de tratamento da nossa imprensa e dos nossos diplomatas", afirmou.

O embaixador concordou, no entanto, que Pequim reagiu geralmente à pressão retaliando na mesma moeda, desde o encerramento de consulados até à imposição de taxas alfandegárias.

"O que é de lamentar é que estamos a tentar reequilibrar o relacionamento para que haja justiça e reciprocidade, mas sempre que tomamos medidas, eles mantêm-no desequilibrado", disse.

Após três anos e três meses como embaixador em Pequim, Branstad regressa a casa este fim de semana. O sucessor não foi ainda nomeado.

Depois de iniciar uma guerra comercial contra Pequim, em 2018, e restringir o grupo chinês das telecomunicações Huawei, por motivos de segurança nacional, o Governo de Trump aumentou ainda mais a pressão sobre a China este ano.

Washington impôs novas restrições aos diplomatas e jornalistas chineses, encerrou o consulado chinês na cidade de Houston e criticou repetidamente a China em várias frentes, desde a forma como geriu o coronavírus até às movimentações militares no Mar do Sul da China ou ao seu histórico de abuso dos Direitos Humanos em Hong Kong e na região de Xinjiang.

A China tomou medidas retaliatórias, incluindo o encerramento do consulado dos EUA na cidade de Chengdu. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse recentemente que os laços entre Washington e Pequim enfrentam o pior período desde a normalização das relações, em 1979.

Branstad minimizou os receios e lembrou que o relacionamento passou por altos e baixos no passado. Reconheceu, porém, a preocupação de que a pressão sobre a China possa levar a uma espiral negativa nas relações.

O diplomata, que viajou muito pela China durante a sua estadia no país, reclamou da necessidade de obter a aprovação do Governo para cada visita. Pediu para ir ao Tibete por três vezes antes de visitar a região no ano passado.

O embaixador apontou o chamado acordo comercial de fase um, alcançado em janeiro passado, e o acordo da China para listar o fentanil como uma substância controlada. Os EUA estão a tentar reduzir o fluxo do opioide no seu território.

No comércio, a China prometeu fortalecer a proteção dos segredos comerciais e direitos de autor das firmas norte-americanas. Pequim fez promessas semelhantes no passado e as empresas dizem que estão à espera para ver se os compromissos serão cumpridos.

Branstad tem laços de longa data com o Presidente chinês, Xi Jinping, e foi inicialmente visto como alguém que poderia mediar as relações.

O embaixador visitou a China como governador do estado de Iowa, em 1984, e encontrou-se com Xi, no ano seguinte, quando o então funcionário do Partido Comunista a nível local visitou Iowa como chefe de uma delegação agrícola.

O diplomata afirmou que esses laços de longo prazo continuam valiosos e disse que se encontrou com Xi várias vezes desde que chegou à China, em 2017, incluindo um jantar familiar privado, no início de 2018, que incluiu a filha e os netos de Branstad.

"Eu acho que ele ainda tem sentimentos positivos sobre mim e sobre Iowa e a maneira como o tratámos", disse Branstad.

O embaixador culpou o coronavírus pelo deteriorar do relacionamento, dizendo que Xi garantiu a Trump que o surto estava sob controlo quando na verdade não estava.

A China foi criticada por encobrir a crise nos primeiros dias, embora elogiada pelas suas medidas rígidas para conter a propagação posteriormente.

"Obviamente, isto tem muito a ver, eu acho, com a postura do Presidente em relação à China", disse Branstad.

Trump culpou a China pela pandemia, que alguns analistas veem como uma tentativa de desviar a culpa da forma como lidou com a crise, num ano de eleições nos Estados Unidos.

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