Encontradas 751 campas não identificadas numa escola para crianças indígenas no Canadá

É a segunda descoberta em cerca de 1 mês. Há 4 semanas foram encontradas as sepulturas de 215 crianças numa escola interna na província da Colúmbia Britânica.

A descoberta divulgada esta quinta-feira é, segundo um líder indígena, a mais significativa feita até agora. O internato fica na província de Saskatchewan, berço de muitas tribos do país. Até ao momento ainda não foi possível perceber se todas as campas são de crianças.

Há um mês uma das tribos decidiu começar a usar um radar de penetração no solo para localizar túmulos não identificados em escolas onde foram internadas milhares de crianças retiradas às famílias.

Depois de um primeiro colégio, os trabalhos começaram no cemitério da Escola Residencial Indígena Marieval em Saskatchewan. No comunicado divulgado esta tarde a federação das Nações Indígenas Soberanas classifica a descoberta como chocante e horrível e apelou aos canadianos para apoiarem os povos indígenas neste momento difícil.

Há cerca de um mês quando foi feita a primeira descoberta o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, e os líderes nativos admitiram que era provável haver outros cemitérios iguais.

Entre 1863 e 1998 cerca de 150 mil crianças indígenas foram retiradas aos pais e colocadas em escolas dirigidas pelo governo e pela igreja. A ideia era forçá-las a adotar a cultura maioritária branca. Elas eram impedidas de falar as línguas nativas e de praticarem qualquer ritual ligado às tribos.

Uma comissão pela verdade e reconciliação criada, em 2008, para fazer um inquérito sobre o que aconteceu revelou, em 2015, que pelo menos 3 mil crianças morreram nestes estabelecimentos. Foi também revelado que muitos dos menores foram sujeitos a abusos físicos e sexuais. A grande maioria nunca voltou à família e tribo de origem.

A comissão conclui que as escolas foram responsáveis por um genocídio cultural e efetivamente institucionalizaram a negligência infantil.

Ainda antes do início da investigação, em 2008, o governo canadiano pediu pela primeira vez desculpa pelo que aconteceu. Esta quinta-feira Justin Trudeau afirmou apenas que o Canadá tem de aprender com o passado.

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