Entre elogios e críticas, Theresa May desafia Jeremy Corbyn a demitir-se

May disse ainda que Corbyn "devia ter vergonha" por ter recusado um entendimento durante as negociações entre o governo e o partido.

O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, saudou esta quarta-feira o "sentido de dever público" de Theresa May, no último debate semanal com os deputados antes da demissão da primeira-ministra, mas esta respondeu sugerindo que ele também renuncie.

"O serviço público deve ser sempre reconhecido. Ser um deputado, um ministro ou um primeiro-ministro é uma honra que traz consigo uma enorme responsabilidade e enormes pressões", reconheceu Corbyn.

No entanto, o líder do partido Trabalhista também criticou Theresa May por ter delineado "linhas vermelhas que impediram qualquer acordo de consenso sensato" para o Brexit, questionando-a sobre se acredita que Boris Johnson será capaz de desbloquear o impasse.

"Eu trabalhei incansavelmente para conseguir um bom acordo para o Reino Unido e também trabalhei duro para fazer passar esse acordo através deste parlamento. Eu votei a favor do acordo. Ele [Corbyn] votou contra um acordo e tornou uma saída sem acordo mais provável", replicou a ainda primeira-ministra.

May disse ainda que Corbyn "devia ter vergonha" por ter recusado um entendimento durante as negociações entre o governo e o partido, e, apesar de ter reconhecido a dedicação do rival aos seus eleitores, desafiou-o a reconhecer o descontentamento dentro do partido Trabalhista.

"Enquanto uma líder partidária que reconheceu que o seu tempo acabou, talvez seja a hora de ele fazer o mesmo", concluiu.

A primeira-ministra vai esta tarde apresentar a demissão à rainha Isabel II, desencadeando o processo para o novo líder do partido Conservador, Boris Johnson, eleito na terça-feira, ser indigitado primeiro-ministro.

O novo chefe do Governo será em seguida conduzido para a residência oficial, em Downing Street, onde fará uma declaração antes de começar a formar o governo.

Theresa May esteve em funções durante três anos, sucedendo a David Cameron, que se demitiu na sequência do referendo que ditou o Brexit, em 2016.

Porém, decidiu afastar-se perante a dificuldade em completar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

"É e será sempre motivo de profundo desgosto para mim não ter sido capaz de implementar o 'Brexit'. Caberá ao meu sucessor encontrar um caminho que honre o resultado do referendo", disse a 24 de maio, quando anunciou a demissão.

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