Epidemia de bronquiolite paralisa urgências da capital francesa

A epidemia de bronquiolite intensificou-se em França e está a paralisar as urgências. Os hospitais parisienses viram-se obrigados a ativar o mecanismo de saturação e começaram a adiar consultas e cirurgias. Segundo dados públicos do Ministério da Saúde, trata-se da terceira semana consecutiva em que o tratamento para bronquiolite representa metade dos internamentos nas urgências francesas. Cerca de 7000 bebés chegaram às urgências, entre os quais mais de um terço foram internados.

Hospitalizado em Paris com bronquiolite, o filho de Dylan teve de ser transferido na noite de segunda-feira para mais de 200 quilómetros de casa. "O médico veio ter comigo por volta das quatro da manhã e disse-me que o meu filho tinha de ser transferido. Perguntei-lhe - transferido para onde? - e ele disse-me - Para Lille", recorda este pai, de 29 anos, que considera a decisão incompreensível: o filho tinha apenas 20 dias quando foi transferido para outro hospital.

"Comecei a pensar no perigo que representa o transporte para um bebé... até mesmo para um adulto hospitalizado... perguntei aos médicos se ele podia ser transferido de helicóptero, para que seja muito mais rápido, para que o meu filho sofra o menos possível... mas não, levaram-no de ambulância", descreve.

Com as urgências paralisadas, os hospitais decidiram ativar o mecanismo de saturação para o nível 2 e adiar consultas e cirurgias. A situação agrava-se com a chegada da epidemia anual de gripe, bem como uma provável nona vaga de Covid-19, aponta o pediatra Rémi Salomon, presidente da comissão médica dos Hospitais de Paris.

Segundo o pediatra, na última semana 188 pacientes foram atendidos nos corredores por faltarem camas nos hospitais. O pediatra considera que a situação é grave: "Vemos demasiados pacientes chegar e temos poucos meios para os receber. Não temos médicos nem enfermeiros suficientes para garantir que um bom acompanhamento possa ser feito. Não temos meios para fazer face a esta situação. Tudo isto cria muito stress nos médicos, que sabem que não podem fazer corretamente o seu trabalho."

O ministro da Saúde, François Braun, anunciou um aumento no Orçamento do Estado de 543 milhões de euros para que os hospitais possam enfrentar as sucessivas crises que afetam o setor da Saúde.

"Posso garantir-vos que colocámos todos os nossos meios à disposição para fazer face a esta nova crise e a esta epidemia de bronquiolite. Os nossos dados oficiais anunciaram esta manhã que se trata de uma epidemia (de bronquiolite) que ultrapassa todos os picos registados nos últimos dez anos", declarou o ministro da Saúde.

O ministro da Saúde garante que a missão do governo vai ser a de rever a estrutura dos hospitais: "Medidas de urgência foram tomadas. O governo trouxe meios financeiros suplementares para fazer face a estas dificuldades. Mas estou de acordo convosco, quando dizem que o problema do nosso hospital público e do nosso sistema de saúde é estrutural", apontou o responsável pela pasta da Saúde.

Esta crise dos hospitais acontece num contexto em que o número de camas disponíveis tem vindo a diminuir todos os anos e em que alguns serviços precisam de recrutar mais médicos e enfermeiros.

Várias organizações de pediatras e infetologistas alertam para a falta de amoxicilina, um dos antibióticos mais usados para as crianças, que pode levar a uma grande crise da saúde pública nos próximos dias.

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