Espanha sobe o salário mínimo para mil euros por mês. Patrões ficaram de fora

Os empresários justificam a decisão com a inflação e dizem que não é o momento para uma subida destas.

O salário mínimo chega aos mil euros por mês em Espanha. A medida vai afetar mais de 1,8 milhões de pessoas e é a terceira subida desde que Pedro Sánchez chegou ao Governo. Desde 2019 o salário mínimo subiu 31%, desde os 735 euros mensais até aos mil euros.

Atualmente, o salário mínimo é de 965 euros ao mês. O novo valor será aprovado em Conselho de Ministros no dia 22 deste mês e a medida terá caráter retroativo a partir de 1 de janeiro deste ano.

Depois da aprovação da reforma laboral com um acordo histórico entre os patrões e os sindicatos, que nunca tinha acontecido em 40 anos, desta vez os patrões ficaram de fora. Os empresários justificam a decisão com a inflação e dizem que não é o momento para uma subida destas.

"A patronal espanhola sabe que as causas da inflação no nosso país não são os salários dos trabalhadores", contrapôs a ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, em conferência de imprensa. "Cientificamente não é bom só para os trabalhadores e as trabalhadoras afetadas. É bom para a economia. Se um trabalhador ou uma trabalhadora tem um rendimento mínimo de mil euros, obviamente vai poder consumir um bocadinho mais. E isto é ciência", concluiu.

Tanto a ministra como os sindicatos rejeitam as críticas do Partido Popular que diz que a medida vai criar desemprego. "Não é verdade que o impacto do salário mínimo destrua emprego no nosso país. E se nesta altura, com uma subida de 40% do salário mínimo nos últimos 5 anos e com um ritmo de recuperação de emprego depois da crise como o que vivemos, isto não ficou esclarecido, então não estamos a falar de dados, falamos de teologia, de fé", explicou Unai Sordo, dirigente do sindicato Comisiones Obreras.

Espanha fechou o ano de 2021 com dados históricos no que diz respeito ao mercado laboral: o desemprego baixou em 782.232 pessoas, alcançando o número mais baixo em 14 anos e a maior criação de emprego desde 2005. Janeiro voltou a ver o desemprego crescer, como é habitual com o fim das campanhas de Natal e a taxa de desemprego aumentou em 17.173 pessoas. Mas, apesar dos números, trata-se do menor crescimento do desemprego num mês de janeiro desde 1998.

A ministra do Trabalho não só lembrou os recordes ao nível do emprego que Espanha tem registado, como os estudos, como os do Banco de Espanha, que apontam que a subida do salário mínimo tem poucos feitos negativos no emprego. "A melhor ferramenta para combater a pobreza laboral é o salário mínimo", disse a ministra. "Serve para melhorar a vida das pessoas, serve para melhorar e subir os salários mais baixos, mas serve também para subir os salários em geral. O Governo de Espanha e os agentes sociais estão comprometidos com um modelo de sociedade, de empresa e de trabalho que não está baseado em salários baixos", explicou.

A medida vai afetar cerca de 1,8 milhões de pessoas e terá um peso essencial também na redução da disparidade salarial entre homens e mulheres. "O salário mínimo tem mais impacto em determinados coletivos, que são a cara da precariedade e da pobreza salarial em Espanha. O perfil tipo dos beneficiários seria o de uma mulher de entre 16 e 34 anos, com contrato temporal e que trabalha no setor da agricultura ou dos serviços", afirmou Unai Sordo.

Pepe Álvarez, do sindicato União Geral de Trabalhadores, lembrou que a subida do salário mínimo até aos mil euros mensais era um compromisso que a patronal já tinha assumido em 2018 e foi sucessivamente adiado. "É uma subida efetiva, porque os trabalhadores vão vê-la no recibo de ordenado, mas também simbólica, porque acabámos de quebrar um teto difícil de quebrar", analisou.

Yolanda Díaz reiterou ainda o compromisso do Governo em continuar com as subidas salariais até alcançar 60% do ordenado médio, como recomenda a Carta Social Europeia, porque "Espanha tem de deixar de ser uma anomalia".

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