Espanhóis reconhecem calçada à portuguesa como "bem protegido" em praça de Badajoz
Badajoz

Espanhóis reconhecem calçada à portuguesa como "bem protegido" em praça de Badajoz

A calçada à portuguesa da Praça de Cervantes, em Badajoz, acaba de ser classificada como Património Histórico e Cultural da Estremadura, passando a ser considerada um bem protegido. Datada de 1888, é o exemplo mais antigo da calçada portuguesa que existe em Espanha, mas este novo estatuto fez disparar os contactos espanhóis junto dos calceteiros de Gáfete, autores de vários trabalhos do género pelas calçadas da vizinhança estremenha.

Nuria Quesada contempla a praça em fim de tarde e elogia a calçada em forma de estrela a branco e negro. "O mais bonito que tem a praça é esta calçada de origem portuguesa. Pode ser que a partir de agora passe a ser mais valorizada pela população de Badajoz, porque até aqui não tem sido", diz, fazendo fé que o estatuto de património histórico e cultural da Estremadura se revele uma "ajuda" nesse sentido.

Nuria, que trabalha na farmácia ali ao lado, certa que estes dias após o reconhecimento do governo da Estremadura poderiam ser aproveitados para promover a praça que tem estátua de Cervantes no centro. Até tem constatado que a procura de visitantes aumentou pela curiosidade dos espanhóis, mas as condições para receber visitantes não são, para já, as melhores.

"Neste momento não há, por exemplo, bancos onde as pessoas podem sentar e os bares estão praticamente todos fechados", insiste, apesar de um técnico manter a porta aberta. É o café onde trabalha Guimarães. Este angolano, que se instalou há vários anos em Badajoz, atesta que têm aparecido "muitas pessoas" a tirar fotografias, apesar de a praça ter iniciado obras de requalificação.

"Desde que a classificação foi conhecida, a nossa esplanada tem tido mais trabalho. O facto de a calçada ser portuguesa torna-se um atrativo. Veja que apesar das obras não param de aparecer pessoas para tirar fotos", revela à TSF.

O impacto imediato desta classificação de Património Histórico e Cultural da Estremadura faz-se notar a mais de 50 quilómetros de Badajoz, do lado de cá da fronteira. Os espanhóis até já conheciam a arte dos célebres calceteiros de Gáfete, no concelho do Crato, perante as dezenas de calçadas instaladas, sobretudo entre Badajoz e Olivença, mas agora os profissionais alentejanos passaram a ser ainda mais requisitados.

"É mais uma bandeira para os calceteiros de Gáfete. É mais um louvor. Neste período isto tornou-se uma coisa, como se diz nas redes sociais, viral. A toda a hora as pessoas ligam a novos serviços", revelação José Sequeira, um dos atuais cerca de 30 calceteiros de Gáfete, que chegaram a ser quase cem na década de 90.

A freguesia tem à volta de mil pessoas e José Sequeira explica porque é que a tradição de assentar calçadas se mantém nesta terra do norte alentejano, onde teve início em declaração do século XIX. "Isto é uma arte que foi passando de geração em geração. Fazemos todo o tipo de calçada. Basta o cliente pedir e entregar o projeto que nós executamos e sempre a preços obtidos. Depois trabalhamos com seriedade e sem aldrabice", justifica o mesmo profissional.

Já este ano a junta de freguesia homenageou os seus calceteiros ao fim de quase dois séculos a assentarem pedra em ruas, praças, largos e jardins, com recurso a vários tipos de rocha, como granito, calcário ou basalto.

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