Estátua de líder esclavagista removida na Virgínia

O governador, Ralph Northam, acrescentou que a estátua representava "mais de 400 anos de história" dos quais o país não se deve orgulhar.

A estátua do general Robert E. Lee, líder dos Estados Confederados da América e símbolo do esclavagismo, foi removida na quarta-feira na capital da Virgínia, onde se tinha tornado alvo de manifestações para abolir representações de injustiça social.

Uma multidão de espectadores irrompeu em aplausos e cânticos enquanto a figura era retirada com um guindaste.

Um trabalhador que amarrou correntes à volta da estátua fez uma contagem decrescente e as centenas de pessoas presentes manifestaram a sua satisfação, tendo depois uma equipa começado a cortar a figura.

"Qualquer vestígio como este, que glorifica a causa perdida da Guerra Civil, precisa ser derrubado", disse o governador, Ralph Northam, que sublinhou esperar ser "um novo dia, uma nova era na Virgínia".

O democrata acrescentou que a estátua representava "mais de 400 anos de história" dos quais o país não se deve orgulhar.

Alguns dos presentes cantavam "De quem são as ruas? As nossas ruas" e, "Ei, ei, ei, adeus". Um homem com uma bandeira do movimento Black Lives Matter foi escoltado pela polícia, depois de se ter precipitado para a área de trabalho vedada, mas não foram reportadas detenções e não houve sinais de contraprotesto.

Os trabalhadores usaram uma serra elétrica para cortar a estátua em duas partes, para que pudesse passar na autoestrada em direção a um edifício estatal não revelado, até que seja tomada uma decisão sobre que destino dar-lhe no futuro.

O trabalho foi supervisionado pela Team Henry Enterprises, liderada por Devon Henry, um empresário negro que enfrentou ameaças de morte após o papel da sua empresa na remoção de outras estátuas confederadas de Richmond ter sido tornado público no ano passado.

Para o responsável, a estátua de Lee representou o seu desafio mais complexo.

A meio da tarde, as peças já tinham desaparecido. Foram içadas num camião, sob o aplauso da multidão.

Northam ordenou a remoção da estátua no verão do ano passado, aludindo à dor nacional pela morte de George Floyd às mãos de polícias brancos, em Minneapolis.

Um litígio atrasou a operação, até que o Supremo Tribunal da Virgínia permitiu na semana passada que a intenção fosse concretizada.

A escultura de bronze, vista como um símbolo racial, tinha seis 6 metros de altura e estava em cima de um pedestal de granito de quase o dobro dessa altura, desde 1890, na Monument Avenue, na antiga capital da Confederação.

Forças de segurança fecharam ruas ao trânsito ao redor da estátua e utilizaram barreiras para manter as pessoas à distância. A Administração Federal de Aviação deferiu o pedido do Estado de proibir os voos com aviões não tripulados e o evento foi acompanhado através das contas do governador no Facebook e no Twitter.

"Este é um momento histórico para a cidade de Richmond. A cidade, a comunidade em geral está a dizer que não vamos mais tolerar estes símbolos de ódio na nossa cidade", disse Rachel Smucker, 28 anos, uma mulher branca que se mudou para Richmond há três anos. "Sempre achei isto ofensivo, como símbolo de proteção da escravatura e do racismo que as pessoas de cor ainda hoje enfrentam", acrescentou.

Após a morte de Floyd, a área em volta da escultura tornou-se um centro de protestos e confrontos ocasionais entre a polícia e os manifestantes.

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