Estrasburgo quer ter última palavra no Brexit

O Parlamento Europeu vai ter a última palavra sobre o acordo de retirada do Reino Unido da União Europeia.

O grupo coordenador do Brexit esteve reunido esta segunda-feira à noite em Estrasburgo, com os presidentes dos grupos políticos, e decidiu que vai esperar pelo voto da câmara dos comuns, para tomar uma decisão, admitindo que possa ser realizada uma sessão extraordinária na próxima semana.

Ouvido pela TSF, o vice-presidente do parlamento, membro do grupo coordenador do brexit, Pedro Silva Pereira, admite que a extensão de três meses, pedida por Londres, não seja suficiente.

"Se na Câmara dos Comuns for deliberado que vai ser realizado um referendo, é possível que esse prazo não seja suficiente", admitiu Pedro Silva Pereira, considerando que "se for deliberado fazer eleições, é preciso ver as consequências disso no procedimento negocial", sobre o período de extensão.

"O prazo vai depender muito também daquilo que for decidido no Reino Unido", disse o deputado, frisando que "é por isso que o Conselho Europeu tendo registado o pedido de adiamento, por parte do Reino Unido, não deliberou ainda, porque deliberar significa também confirmar se um prazo até 31 de janeiro é suficiente ou não".

O deputado afirma que Estrasburgo não prescinde de ter a última palavra sobre o acordo, pois "do lado europeu, toda a gente quer perceber primeiro qual é a posição final do Reino Unido, quanto a esta proposta de acordo antes de poder decidir alguma coisa seja sobre a extensão, seja sobre a ratificação aqui no Parlamento Europeu".

O deputado considera que como até aqui tudo depende do ritmo e do resultado da discussão em Londres, já que "qualquer alteração ao acordo, que venha a ser introduzida, na Câmara dos Comuns é uma alteração substantiva, ao acordo e obriga a repensar os termos das soluções encontradas, e portanto qualquer alteração desse género evidentemente implica uma extensão".

"Se for preciso, o Parlamento Europeu está disponível para, na próxima quinta-feira avaliar a situação, e tomar decisões sobre e não excluímos a possibilidade da convocação extraordinária do plenário, para a próxima semana", disse o deputado, embora considera que "não está excluída uma extensão que dê mais tempo para que toda a avaliação que tem que ser feita ocorra".

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