Estudar no Reino Unido não é só para ricos. Como fazer depois do Brexit?

Com a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o sonho de estudar numa universidade britânica tornou-se mais difícil. Este ano, o número de candidaturas caiu 40%.

As propinas ficaram mais caras e a burocracia aumentou, com o Brexit. A pandemia agravou o cenário e o número de alunos candidatos a estudar no Reino Unido desceu 40%, este ano.

O diretor de educação e cultura do British Council em Lisboa, Richard Fleming, reconhece que é um "decréscimo bastante acentuado" e preocupante.

No entanto, Richard Fleming salienta que "existem apoios, há universidades que mantêm os honorários. Continua a haver uma educação fantástica", sobretudo nas universidades.

Por isso, o responsável apela a que não se abandone "o sonho de estudar no Reino Unido". Não se pense que "tudo é difícil, tudo é caro. Convém é fazer uma pesquisa e perceber quais as ajudas possíveis".

Nesse sentido, o British Council organiza, esta semana, várias sessões de esclarecimento, para que os alunos possam aprender como escrever uma carta de candidatura, como pagar as propinas ou tratar dos vistos e seguros de saúde.

A responder às dúvidas, vão estar representantes das universidades britânicas e também estudantes estrangeiros no Reino Unido.

É o caso de João dos Santos, estudante de Ciência de Computadores e embaixador internacional da Universidade de Portsmouth. Há três anos em Inglaterra, João é apoiado por uma empresa governamental britânica, para pagar as propinas. São 9200 libras por ano (cerca de 15 mil euros), que não sofrem alteração para os estudantes que já estavam no país, antes do Brexit.

Contudo, para os novos alunos, o valor vai subir. A partir deste ano letivo, os estudantes da União Europeia passam a ser considerados estudantes internacionais e deixam de pagar o mesmo valor dos britânicos.

João está convencido de que, depois do Brexit, "vai ser muito mais complicado e seletivo" estudar no Reino Unido. Será apenas para "quem tem possibilidade" (financeira) e se, até aqui, os estudantes eram de "todo o tipo de classe social, agora será diferente". Prova disso são dois amigos de João que escolheram a Dinamarca, em vez de uma universidade inglesa, quando decidiram estudar no estrangeiro. O valor das propinas "tirou o Reino Unido das opções, porque não conseguiam sustentar a universidade e a vida aqui".

Ainda assim, o jovem português realça que estudar no Reino Unido é "uma oportunidade fantástica". "Sem dúvida que me mudou a vida", afirma. A terminar a licenciatura de Ciência de Computadores, João recebeu uma oferta de um trabalho em part-time, numa empresa onde estagiou 12 meses, e, no final do curso, conta com um contrato a tempo integral. No horizonte, está também um novo desafio, noutro país estrangeiro, talvez "à procura do bom tempo", porque João não pensa voltar a Portugal, pelo menos para trabalhar. Do nosso país, só sente falta do sol e das ondas que tinha em abundância no Algarve, de onde é originário.

As sessões de esclarecimento, promovidas pelo British Council, são gratuitas. Decorrem entre esta segunda-feira e a próxima sexta-feira.

As inscrições podem ser feitas em Home - Study UK: The essentials (britishcouncil.org).

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