EUA acusam russos de transferir "à força" milhares de ucranianos para a Rússia

Governo de Washington alegou que a Rússia transferiu milhares de ucranianos para "campos de filtragem" sem lhes dizerem qual era o "destino final".

Os EUA acusaram o exército russo de ter transferido "à força" vários milhares de ucranianos para a Rússia desde o início da guerra, em fevereiro, frequentemente com passagem por "campos de filtragem", onde são submetidos a tratamentos "brutais".

O Governo ucraniano apresentou o número de 1,2 milhão de pessoas deportadas por Moscovo para a Rússia e denunciou a existência de "campos de filtragem" russos, muitas vezes nos territórios controlados pela Rússia, no leste da Ucrânia, por onde passam esses "deportados".

"Os Estados Unidos estimam que as forças russas transferiram pelo menos vários milhares de ucranianos para esses 'campos de filtragem' e deslocaram pelo menos dezenas de milhares mais para a Rússia ou territórios controlados pela Rússia, às vezes sem lhes dizer qual era seu destino final", disse na quinta-feira o embaixador da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Michael Carpenter.

Num discurso proferido em Viena, o diplomata afirmou estimar que a partir de Mariupol, uma cidade portuária estratégica agora quase controlada pela Rússia, as forças russas "deslocaram à força vários milhares de civis para o território russo".

Carpenter referiu-se a testemunhos sobre os "interrogatórios brutais", acompanhados de "torturas", sofridos nestes "campos de filtragem", destinados a identificar qualquer pessoa que tenha "a menor fidelidade à Ucrânia".

"Muitas histórias relatam o confisco de telemóveis de detidos" ou mesmo dos seus passaportes, "senhas obtidas sob coação, redes sociais e mensagens rastreadas para [detetar] qualquer sinal de oposição à guerra bárbara travada pela Rússia contra a Ucrânia", disse.

O embaixador denunciou ainda que, "de acordo com esta informação, aqueles que são considerados pró-Ucrânia estão a ser transferidos para a chamada 'República Popular de Donetsk'", controlada por separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, "onde enfrentam um destino sombrio".

"Esses atos constituem crimes de guerra", realçou.

Michael Carpenter destacou que "a Rússia sabe bem" que tais "deslocamentos forçados" são "contrários ao direito internacional humanitário".

De acordo com uma autoridade do governo ucraniano, Lioudmila Denissova, "mais de 1,19 milhões" de ucranianos, "incluindo mais de 200.000 crianças, foram deportados para a Federação Russa".

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