EUA alertam que Rússia pode estar a optar por guerra "longa" no leste e sul

Jake Sullivan alerta que esta nova fase da ofensiva militar russa "pode durar meses ou mais".

Os Estados Unidos consideram que a Rússia está a "reavaliar os seus objetivos" na Ucrânia e pode estar a planear um conflito "longo" concentrado no leste e em parte do sul, ao invés de tentar invadir o país inteiro.

"Acreditamos que a Rússia está a reavaliar os seus objetivos de guerra. Estão a reposicionar as suas forças para concentrar as suas operações ofensivas no leste da Ucrânia e em parte do sul, em vez de atacar a maior parte do território", explicou o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, em conferência de imprensa, citado pela agência EFE.

Segundo o conselheiro do Presidente norte-americano, Joe Biden, a Rússia "tentou subjugar toda a Ucrânia e falhou".

Mas alertou que esta nova fase da ofensiva militar russa "pode durar meses ou mais".

No entanto, segundo Washington, Moscovo irá manter "os ataques aéreos e disparos de mísseis no resto do país para causar danos militares e económicos e também, claramente, semear o terror".

"Vimos atrocidades, vimos crimes de guerra, não vimos até agora um nível de ataque à vida do povo ucraniano que atinja o nível de genocídio. Mas é algo que vamos continuar a acompanhar", assegurou Jake Sullivan.

Jake Sullivan prometeu "mais anúncios de assistência militar adicional" para a Ucrânia nos próximos dias, sem adiantar mais detalhes, embora tenha explicado que este equipamento destinado ao Exército ucraniano pode ser entregue pelos EUA ou por outros países.

O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca confirmou ainda que Washington vai impor novas sanções contra Moscovo esta semana, na sequência do alegado massacre realizado por tropas russas contra civis na cidade de Bucha, perto de Kiev.

Segundo este responsável, as discussões entre ocidentais neste momento estão concentradas principalmente em possíveis medidas "relacionadas com a energia", um assunto muito sensível para os europeus, que são dependentes do gás russo.

Sullivan insistiu na procura de "consenso" com a União Europeia, que por sua vez discute novas sanções "de emergência" contra Moscovo, num momento em que a comunidade internacional tem reagido à denúncia das autoridades ucranianas da existência de mais de 400 cadáveres nas ruas de Bucha, a oeste de Kiev, no seguimento da ocupação pelas forças russas.

Os homicídios foram também denunciados pela organização de direitos humanos Human Rights Watch num comunicado publicado este domingo, no qual detalha casos de execuções de civis, ameaças, violações e saques cometidos presumivelmente por soldados russos.

Imagens nas televisões e jornais de dezenas de corpos em valas comuns ou espalhados pelas ruas dos arredores da capital ucraniana, no fim de semana, na sequência da retirada russa, estão a chocar os países ocidentais.

A União Europeia, Espanha, Polónia, Alemanha, Reino Unido, França, Japão, Canadá e Estados Unidos, entre outros, condenaram publicamente e defenderam novas sanções à Rússia.

A Rússia negou hoje "categoricamente" as acusações de "massacre" e "genocídio" relacionadas com descoberta de um grande número de cadáveres de civis em Busha, nos arredores de Kiev, e anunciou uma "avaliação judicial da provocação" ucraniana.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.430 civis, incluindo 121 crianças, e feriu 2.097, entre os quais 178 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de dez milhões de pessoas, das quais 4,1 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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