EUA procuram resolver crise diplomática com França nos corredores da ONU

A crise diplomática entre os EUA e a França pode começar a ser resolvida nos corredores das Nações Unidas, com promessas de Washington e Londres de apaziguamento e de rejeição de um novo clima de divisão de blocos políticos.

O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, vai reunir-se com o seu homólogo francês, Jean-Yves Le Drian, em Nova Iorque, antes da Assembleia Geral anual da ONU, para tentar apaziguar as tensões diplomáticas, depois de os EUA e Reino Unido terem vendido tecnologia de construção de submarinos de propulsão nuclear à Austrália, levando este país a "rasgar" um contrato de submarinos convencionais com a França.

Ao mesmo tempo, espera-se que o Presidente dos EUA, Joe Biden, que deve falar na Assembleia Geral da ONU na terça-feira, diga que "não acredita na ideia de uma nova Guerra Fria, com um mundo dividido em blocos", de acordo com informações de um alto funcionário do Governo norte-americano.

A mesma fonte disse ainda que Joe Biden está "impaciente" para falar com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, para lhe "expressar o seu desejo de trabalhar em estreita colaboração com a França na zona do Indo-Pacífico e no cenário internacional".

Também o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse, esta segunda-feira, que a relação entre o Reino Unido e a França é "indestrutível", defendendo que o novo acordo de defesa com a Austrália e os Estados Unidos não visa irritar ou excluir ninguém.

"O Reino Unido e a França têm, acredito, uma relação muito importante e indestrutível e, claro, vamos conversar com todos os nossos amigos sobre como fazer o pacto AUKUS (entre Austrália, Reino Unido e EUA) funcionar. Não é exclusivo, não é divisivo e não precisa de ser", disse Johnson, durante uma conferência de imprensa na sede da ONU.

O primeiro-ministro britânico insistiu que o acordo é simplesmente uma fórmula para o Reino Unido, os Estados Unidos e a Austrália compartilharem certas tecnologias e não deve ser visto como algo que vai contra ninguém.

Esta declaração acontece no dia em que a ministra da Defesa de França, Florence Parly, cancelou uma reunião com o seu homólogo britânico, Ben Wallace, por causa do pacto AUKUS.

Paris expressou assim, mais uma vez, o seu desconforto com os três países signatários da aliança, após, na sexta-feira passada, o Presidente Emmanuel Macron ter tomado a decisão de convocar os embaixadores dos EUA e da Austrália para consultas.

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