EUA reforçaram respostas sociais mas "muita gente tem medo", conta portuguesa em Nova Iorque

Ana Duarte Carmo, uma portuguesa a viver em Nova Iorque há dez anos, garante que a cidade está a braços com a pandemia, com as autoridades a tomar várias medidas para proteger combater a propagação da doença.

Num dia normal, a portuguesa Ana Duarte Carmo estaria a trabalhar na sede das Nações Unidas em Nova Iorque mas está há vários dias em teletrabalho devido à Covid-19.

"Não posso deslocar-me ao escritório. Recebemos diretivas bastante fortes dos nossos escritórios e das Nações Unidas a dizer que só as pessoas que faziam parte de uma determinada lista é que poderiam deslocar-se ao escritório", explica.

Vive no bairro de Astoria, em Queens, onde está quase tudo fechado, com exceção dos supermercados, farmácias e alguns restaurantes com entregas ao domicílio. As escolas também estão encerradas e apenas algumas creches se mantiveram abertas para que os trabalhadores essenciais tenham onde deixar os filhos durante o expediente.

Ana Duarte Carmo explica que, apesar do sistema de saúde norte-americano ser sobretudo privado, os testes para o novo coronavirus são gratuitos e "as autoridades dizem que estão a trabalhar no sentido de se poderem levantar os pagamentos obrigatórios nos hospitais".

A portuguesa acha difícil que as seguradoras deixem de cobrar os seguros de saúde mas indica que há a intenção, por parte das autoridades, de "abrir em período excecional as inscrições para os seguros de saúde daquilo que era chamado o Obama Care - o Affordable Care Act".

As pessoas sem seguro de saúde ou aos trabalhadores que perderam acesso às apólices devido a uma situação de desemprego "poderão agora inscrever-se nesses planos de saúde com custos mais reduzidos".

Ana Duarte Carmo destaca também a chegada de um navio-hospital da Marinha norte-americana com mil camas que está atracado em Nova Iorque para receber "os doentes que não têm Covid-19 para que os hospitais possam então dar maior atendimento aos pacientes de Covid-19".

Nova Iorque também tomou medidas em relação à habitação, através da proibição dos despejos. "Pelo menos durante três meses, não há despejos na cidade de Nova Iorque."

Em relação à comunidade portuguesa em Nova Iorque e Nova Jérsia, Ana Duarte Carmo considera que todos gostariam de estar mais perto da família em Portugal mas garante que "as pessoas sentem que não têm o direito de viajar neste momento, porque também não interessa continuar a probabilidade de se espalhar mais ainda o vírus".

A portuguesa está otimista e confia na capacidade de renovação da cidade de Nova Iorque, esperando "que tenhamos a capacidade de sair disto o mais depressa possível e nos reinventar outra vez como nova-iorquinos ou como portugueses".

Ainda assim, a jornalista admite que "há muita gente com medo", lembrando que é importante que todos tenham a "capacidade de se manter sãos mentalmente", de forma a "combater este medo que nos invade de vez em quando".

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