EUA sancionam alegados financiadores do tráfico de crianças do Estado Islâmico

Crianças serão contrabandeadas para fora de campos de refugiados baseados na Síria e entregues ao Estado Islâmico como potenciais recrutas.

Os Estados Unidos anunciaram segunda-feira que estão a punir cinco pessoas acusadas de arrecadar fundos para o Estado Islâmico e usá-los para ajudar no tráfico de crianças para combaterem naquela organização 'jihadista'.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos disse que os atores são fundamentais para ajudar extremistas a viajar para a Síria e outras regiões onde o Estado Islâmico opera.

Dwi Dahlia Susanti e os seus cúmplices são acusados de facilitar transferências de dinheiro da Indonésia, Turquia e Síria.

De acordo com o Tesouro norte-americano, a mulher acusada usou fundos para ajudar a "contrabandear crianças adolescentes dos campos para o deserto, onde foram recebidas por combatentes estrangeiros, provavelmente como recrutas infantis" para o grupo extremista.

As sanções, impostas pelo Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro, têm como finalidade bloquear qualquer propriedade ou outros ativos que as pessoas tenham nos Estados Unidos e aqueles que fazem negócios com as pessoas sancionadas podem receber punições secundárias.

O anúncio acontece apenas dois dias antes de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da coligação global anti-Estado Islâmico que irá decorrer em Marrocos.

O secretário de Estado norte-americano Antony Blinken teve de cancelar a sua presença no encontro de quarta-feira, após ter testado positivo à Covid-19, mas os Estados Unidos vão estar representados pela subsecretária de Estado para Assuntos Políticos, Victoria Nuland.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos indicou que várias das pessoas realizaram alegadamente transferências através de campos de refugiados baseados na Síria, recolhendo fundos na Indonésia e na Turquia, onde alguns foram usados para pagar para "contrabandear crianças para fora dos campos e entregá-las a [Estado Islâmico] combatentes estrangeiros como potenciais recrutas".

O subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, Brian Nelson, adiantou que o Tesouro pretende "expor e parar uma rede internacional que apoiou o recrutamento [do Estado Islâmico, incluindo o recrutamento de crianças vulneráveis na Síria".

Dos cerca de 40 mil membros estrangeiros do Estado Islâmico identificados no Iraque e na Síria, 12% eram crianças com menos de 18 anos, segundo um relatório das Nações Unidas de 2019.

"Os Estados Unidos, como parte da coligação global para derrotar o Estado Islâmico, estão comprometidos em negar a capacidade de arrecadar e movimentar fundos em várias jurisdições", referiu Brian Nelson, citado em comunicado.

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