Ex-Pesidente do Brasil Michel Temer envolvido na redação da carta de recuo de Bolsonaro

Bolsonaro recuou, em comunicado divulgado na quinta-feira, nas ameaças proferidas contra o poder judiciário esta semana, atribuindo as polémicas declarações ao "calor do momento", ao mesmo tempo que garantiu não ter "intenção de agredir" os poderes.

O Presidente do Brasil afirmou que contou com a participação do ex-chefe de Estado Michel Temer na elaboração da carta em que recuou e atribuiu as ameaças feitas ao judiciário ao "calor do momento".

"Eu telefonei para o Michel Temer, ele veio a Brasília, conversou comigo, colaborou com algumas coisas na nota, concordei e publicámos. Estou pronto para conversar", afirmou Jair Bolsonaro, na quinta-feira, na habitual transmissão em vídeo na rede social Facebook.

O chefe de Estado confirmou assim que se aconselhou com o antecessor, tal como já havia sido adiantou por Michel Temer, que declarou à imprensa local estar a tentar "ajudar a pacificar o país".

Bolsonaro recuou, em comunicado também divulgado na quinta-feira, nas ameaças proferidas contra o poder judiciário esta semana, atribuindo as polémicas declarações ao "calor do momento", ao mesmo tempo que garantiu não ter "intenção de agredir" os poderes.

Numa "declaração à nação", o Presidente brasileiro afirmou respeitar as "instituições da República" e disse estar "disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles".

Já na transmissão em vídeo, mais tarde, Bolsonaro indicou ter recebido críticas pelo tom conciliador da carta e adiantou que os seus aliados pediram uma resposta mais dura.

"Estão batendo em mim por causa da nota, acho ela precisa. Estão 'descendo a lenha' [ataques] em mim, paciência. (...) Estão dizendo que eu devia fazer isso e aquilo. Sou o chefe da nação e estou com o povo, onde o povo estiver", disse.

Vários parlamentares recorreram à rede social Twitter para criticar a participação de Temer na carta e pediram a destituição do chefe de Estado.

"Li a cartinha do Temer que o Bolsonaro assinou. Será que agora o Temer passa a governar também? Será que vai redigir cartinha explicando mansões e 'rachadinhas' [esquema de corrupção]? Vai vendo, Brasil. Quem votou 'para mudar tudo isso aí' faz o quê? Espera cartinha para baixar o preço da gasolina? Desenhando para inocentes apaixonados", escreveu o senador Alessandro Vieira.

Já o senador Rogério Carvalho disse que o Presidente brasileiro cometeu crime de responsabilidade e não pode ficar impune.

"Até o golpista Temer aconselhou Bolsonaro a recuar da brava autoritária. As instituições precisam permanecer vigilantes aos arroubos antidemocráticos de Bolsonaro, que não irão parar. Os crimes de responsabilidade já cometidos não podem passar impunes", defendeu.

O comunicado de Bolsonaro foi publicado dois dias depois das polémicas ameaças feitas na terça-feira, Dia da Independência do Brasil, quando, em tom de desafio, declarou que "não mais cumprirá" decisões do juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e "nunca será preso".

O chefe de Estado brasileiro ameaçou ainda outros juízes brasileiros, em dois discursos para milhares de apoiantes nas cidades de Brasília e São Paulo, e frisou que a manifestação popular representava um ultimato aos três poderes.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro afirmou que as manifestações organizadas pelos apoiantes, na terça-feira, foram pacíficas e recusou que tenham sido antidemocráticas, mesmo tendo sido erguidos cartazes a pedirem o encerramento do STF, do Congresso, e uma intervenção militar no país.

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