Ex-secretária de campo de concentração nazi foge antes do início do julgamento

Irmgard Furchner, que tinha entre 18 e 19 anos na época referente às acusações, mora atualmente num lar de idosos perto de Hamburgo. Trabalhou como datilógrafa e secretária do comandante do campo de concentração nazi Paul Werner Hopp.

Uma ex-secretária de um comandante das SS nazis num campo de concentração de Stutthof, cujo julgamento começava esta manhã na Alemanha, "está em fuga", anunciou o presidente do tribunal.

"A acusada está em fuga (...), foi emitido um mandado de prisão", informou o tribunal de Itzehoe, no norte da Alemanha, onde a acusada, de 96 anos, deveria ser julgada por cumplicidade no assassínio de mais de dez mil pessoas, referiu a agência de notícias France-Presse (AFP).

A acusada "deixou o lar (de idosos) na manhã de hoje, apanhou um táxi" e desapareceu, disse a porta-voz do tribunal de Itzehoe, Frederike Milhoffer.

Segundo a agência de notícias AFP, que cita meios de comunicação alemães, a idosa apanhou um táxi rumo a uma estação de metropolitano nos arredores de Hamburgo. O destino que seguiu é ainda desconhecido.

O advogado da nonagenária, Wolf Molkentin, esteva presente no tribunal, mas não fez declarações aos jornalistas.

O presidente do tribunal pediu "um pouco de paciência", apesar de a abertura do julgamento ter falhado, já que, mesmo que a acusada seja detida, terá ainda de ser feito um exame médico para determinar se pode comparecer a uma audiência.

Irmgard Furchner, que tinha entre 18 e 19 anos na época referente às acusações, mora atualmente num lar de idosos perto de Hamburgo. Trabalhou como datilógrafa e secretária do comandante do campo de concentração nazi Paul Werner Hoppe - também comandante das SS [organização paramilitar nazi] - entre junho de 1943 e abril de 1945.

Apesar de sua idade avançada, a alemã deverá ser julgada num tribunal de menores porque era menor de 21 anos na época dos crimes.

Segundo a procuradoria alemã, 65 mil pessoas morreram no campo de concentração de Stutthof, perto da cidade de Gdansk, num processo que implicou assassinatos de "judeus, membros da resistência polaca, prisioneiros de guerra soviéticos", entre outros.

O caso contra Furchner baseia-se no precedente legal alemão estabelecido em casos julgados ao longo da última década de que qualquer pessoa que tenha ajudado a manter os campos de extermínio e de concentração nazi a funcionar pode ser processada como cúmplice dos assassínios cometidos ali, mesmo sem evidências de participação num crime específico.

Os procuradores argumentam que a idosa fazia parte do aparelho que ajudou o campo de concentração nazi a funcionar durante a Segunda Guerra Mundial, há mais de 75 anos.

O tribunal disse, num comunicado divulgado antes do julgamento, que a ré terá "ajudado e incitado os responsáveis do campo ao assassínio sistemático dos presos entre junho de 1943 e abril de 1945 através da sua função de estenógrafa e datilógrafa no escritório do comandante do campo".

Irmgard Furchner testemunhou que não tinha conhecimento dos assassínios que ocorreram no campo enquanto trabalhava lá, relatou a agência de notícias DPA.

Outro julgamento de um homem alemão centenário, ex-guarda do campo de concentração nazi de Sachsenhausen, perto de Berlim, deverá acontecer em outubro. Nunca antes na Alemanha foram julgados ex-nazis tão idosos.

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