"Exaustos física e psicologicamente", 800 migrantes aguardam ordem para desembarcar

Foram resgatados no fim de semana, ao largo do Mediterrâneo, e continuam a bordo dos navios humanitários. A TSF ouviu uma das responsáveis da organização humanitária SOS Mediterrâneo.

Só no Ocean Viking estão 553 pessoas, 119 menores, e uma grávida já teve de ser retirada de emergência do navio para receber tratamento médico. Jana Ciernioch, da ONG SOS Mediterrâneo, proprietária do navio humanitário, diz que estão todos exaustos e em sofrimento.

"Muitos deles estão extremamente exaustos, temos três grávidas, 40 crianças com menos de 12 anos, 94 menores não acompanhados... Já tivemos de retirar uma grávida... Não há cuidados médicos de urgência a bordo... Estas pessoas sofrem muito na travessia de barco, entram num estado de stress inimaginável, muitos têm dores no corpo, física e mentalmente estão mesmo, mesmo exaustos", conta.

A bordo há migrantes de 20 nacionalidades, a maioria do Bangladesh, Egito, Mali, Nigéria, Marrocos, Síria e Etiópia. Malta já rejeitou o pedido do Ocean Viking para conceder um porto seguro, Tunísia, Líbia e Itália ainda não responderam. "De acordo com a lei marítima, os que são resgatados em alto mar têm de ser desembarcados num sítio seguro o mais rapidamente possível. Mas nós continuamos à espera que possam desembarcar... Quer do ponto de vista legal, quer do ponto de vista humanitário, isto é insustentável, não pode prolongar-se por mais tempo... Estas pessoas precisam desembarcar."

A responsável da SOS Mediterrâneo explica que tem havido um aumento muito preocupante de pessoas que partem da Líbia. "Vêm da Líbia, onde muitos migrantes e requerentes de asilo ficam presos em condições desumanas, como detenção arbitrária, trabalho forçado, exploração sexual... A Organização Internacional para a Migração registou 990 pessoas só nesta rota em 2021... Só para terem uma ideia isto é três vezes mais do que no total do ano passado. A situação continua muito dramática e sensível."

Jana Ciernioch afirma que a pandemia agravou a situação dramática do centro do Mediterrâneo: "Foi um desafio enorme para as ONG poderem trabalhar e ter de respeitar as mais de 90 regras de protocolo que temos de cumprir a bordo... Mas também vemos que a pandemia serviu de desculpa para perturbar o trabalho humanitário no mar".

Dados da Organização Internacional para as Migrações indicam que, só no primeiro semestre deste ano, 1113 pessoas morreram no mar, quando tentavam sair do país de origem.

Os 800 migrantes aguardam, desde domingo, a bordo dos navios de organizações humanitárias 'Ocean Viking' e 'Sea Watch 3', que um país da União Europeia autorize o seu desembarque num porto da região. A SOS Mediterrâneo diz que estão "numa situação insustentável, o calor é sufocante".

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