Face a tumultos, Irão não permite "insegurança". Acesso à internet ainda cortado

"Estamos praticamente incomunicáveis", diz Ali, de 28 anos, da cidade de Jorramshahr, que acredita que "a medida foi tomada para impedir o envio de imagens dos protestos".

O Presidente iraniano declarou este domingo que o Estado não deve "permitir a insegurança" face aos "tumultos" desencadeados na sexta-feira à noite em várias cidades do Irão após o anúncio de um forte aumento do preço da gasolina.

"Manifestar o seu descontentamento é um direito, mas a manifestação é uma coisa e o tumulto é outra", disse Hassan Rohani durante o Conselho de Ministros, segundo um comunicado da presidência. "Não devemos permitir a insegurança na sociedade", defendeu o Presidente.

Pelo menos duas pessoas, um polícia e um civil, morreram no Irão durante as violentas manifestações contra o elevado aumento do preço da gasolina anunciado na sexta-feira pelo governo.

A propósito desse anúncio, Rohani explicou aos ministros que o Estado não tinha outra solução para ajudar as "famílias de rendimento médio e baixo que sofrem com a situação económica criada pelas sanções" norte-americanas, adianta o comunicado.

De acordo com o plano anunciado pelo Governo, o preço da gasolina, bastante subsidiada no Irão, deve aumentar 50% para 15.000 riais (11 cêntimos de euro) para os primeiros 60 litros adquiridos cada mês e 300% além disso.

As receitas da subida dos preços destinam-se a subsidiar 60 milhões de iranianos com necessidades, declarou o responsável pela Planificação e Orçamento, Mohammad Bagher Nobakht, citado pela Irna.

O Irão, com 83 milhões de habitantes, registou uma quebra da sua moeda, o rial, ligada à parte às sanções económicas restabelecidas a partir de meados de 2018 pelos Estados Unidos, após a sua retirada unilateral do acordo internacional sobre o nuclear iraniano de 2015.

A inflação na República Islâmica é superior a 40% e, segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia deve contrair-se 9% este ano, antes de registar um crescimento de 0% em 2020.

Irão corta acesso à Internet após protestos

O Irão cortou o acesso à internet no sábado, após os protestos contra o aumento do preço da gasolina, que provocaram fortes confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Conforme constatou a Efe, e confirmaram cidadãos de diferentes partes do país, o acesso à Internet continua cortado este domingo, tanto em Teerão como em outras cidades.

"Estamos praticamente incomunicáveis", diz Ali, de 28 anos, da cidade de Jorramshahr, que acredita que "a medida foi tomada para impedir o envio de imagens dos protestos".

"Não querem que o mundo veja o que está a acontecer no país", acrescentou.

Maryam, 45 anos, de Bandar Abas, queixa-se de não poder seguir as notícias: "Além disso, sou tradutora e o meu trabalho depende da Internet, eles paralisaram a minha vida, nem tão pouco consegui fazer uma transferência bancária, é insuportável".

O site netblocks que monitoriza a interrupção da Internet em todo o mundo informou que "as maiores operadoras de redes móveis do Irão, como MCI, Rightel e IranCell, foram desligadas às 18h00 (14h30 de Lisboa) de sábado.

Mais tarde, informou que a partir das 22h15 locais (18:45 TMG) a Internet foi quase completamente bloqueada e que apenas 7% estão conectados.

As organizações internacionais sediadas em Teerão, como as agências da ONU, pediram aos seus funcionários que trabalhassem a partir de casa.

No sábado, o ministro iraniano do Interior, Abdolreza Rahmaní Fazlí, numa primeira reação aos protestos, advertiu os manifestantes de que se continuarem a ocupar as ruas, enfrentarão as forças de segurança.

"Até agora, têm sido tolerados, mas já foi decidido que se continuarem, as forças de segurança irão enfrentá-los", disse Rahmaní Fazlí à imprensa local.

Os protestos começaram na sexta-feira por causa do aumento dos preços da gasolina e estenderam-se a todo o país, com slogans políticos contra o Governo e o sistema, o que provocou duras reações por parte das forças de segurança.

De acordo com dados não oficiais, pelo menos uma dúzia de pessoas perderam a vida durante os confrontos com as forças de segurança, embora os meios de comunicação oficiais tenham confirmado apenas uma morte na cidade de Sirjan.

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