Falta de meios agrava tragédia. Afegãos revolvem escombros à mão em busca de sobreviventes

Há localidades completamente destruídas nas províncias de Paktika e Khost. Secretário-geral das Nações Unidas apela à "solidariedade" da comunidade internacional.

A chuva forte, o terreno acidentado, a interrupção das redes de comunicações e sobretudo a falta de recursos estão a dificultar as buscas por sobreviventes do sismo de magnitude 5,9 na escala de Richter que provocou pelo menos mil mortes e 1500 feridos no Afeganistão esta quarta-feira.

Segundo a Associeted Press, em muitas localidades da província de Paktika os destroços estão a ser revolvidos à mão. Até ao momento, não é conhecido o número de desaparecidos.

Geralmente, um abalo desta magnitude não provoca vítimas nem estragos em edifícios modernos, mas as casas de pedra e lama afegãs não resistiram. Além disso, ocorram deslizamentos de terra nas regiões montanhosas e cheias que provocaram ainda mais mortes.

O Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU indicou que "tendo em conta as chuvas abundantes e o frio, incomuns nesta estação, os abrigos de emergência são uma prioridade imediata".

A população precisa igualmente de cuidados de emergência, ajuda alimentar, medicamentos, e assistência em matéria de serviços de água, higiene e saneamento.

Após uma reunião de emergência no Palácio Presidencial de Cabul, o primeiro-ministro do Afeganistão, Mohammad Hassan, anunciou uma ajuda de mil milhões de afeganis (dez milhões de euros) para as vítimas do terramoto.

Isto numa altura em que muitas agências de ajuda internacional saíram do Afeganistão após a tomada de poder pelos talibãs, em 15 de agosto do ano passado, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já começou a enviar equipas de saúde móveis para as províncias de Paktika e Khost.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou a "trágica perda de vidas", alertando que o número de vítimas pode continuar a aumentar.

Num comunicado, Guterres garantiu que "está com o povo do Afeganistão, ainda a recuperar do impacto de anos de conflito, dificuldades económicas e fome".

"Contamos com a comunidade internacional para ajudar a apoiar as centenas de famílias afetadas por este mais recente desastre. Agora é a hora da solidariedade", apelou.

Um dos porta-vozes do regime talibã, Mohammad Naeem, indicou na rede social Twitter que um avião vindo do Qatar e dois vindos do Irão chegaram a Cabul carregados com ajuda humanitária na noite de quarta-feira.

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