"Triste por deixar o melhor emprego do mundo." Boris Johnson demite-se

O primeiro-ministro britânico não resistiu à onda de demissões no seu governo. Veja aqui a comunicação de Boris Johnson ao país.

Boris Johnson demitiu-se esta quinta-feira da liderança do partido Conservador, anunciou o primeiro-ministro do Reino Unido, numa comunicação ao país em frente à residência oficial, numa altura em que cerca de 60 membros do governo estão de saída.

"É claramente a vontade do partido Conservador que haja um novo líder e, portanto, um novo primeiro-ministro", disse Boris Johnson, lamentando não ter conseguido fazer valer os seus argumentos e ideias. Na política, vincou, nunca "ninguém é indispensável".

"Triste por deixar o melhor emprego do mundo", o líder Conservador demissionário confirmou que vai ficar no cargo de primeiro-ministro até ser nomeado outro líder, assinalando que esse processo deve começar já. Até lá, garantiu, os interesses dos britânicos "serão servidos e o governo do país será mantido".

Dirigindo-se aos eleitores que votaram em 2019 no partido Conservador, o ainda primeiro-ministro explicou que a razão que o levou nos últimos dias a querer manter-se determinado no cargo foi facto de sentir que é seu "dever" e "obrigação" continuar a trabalhar para cumprir o programa com o qual se comprometeu.

Na declaração, Boris frisou estar "profundamente orgulhoso" das conquistas do governo, designadamente no que diz respeito ao processo do Brexit, no combate à pandemia, assim como na liderança do ocidente condenação da agressão russa à Ucrânia.

O governante prosseguiu destacando o programa de investimento em infraestruturas e tecnologias, que classificou como "o maior do século". "Devemos manter o nível elevado (...). Se o fizermos, o Reino Unido será o mais próspero da Europa", sublinhou.

O ainda primeiro-ministro tentou, nos últimos dias, "persuadir os colegas" de que mudar de governo numa altura de dificuldades quer a nível interno quer a nível externo não era o melhor caminho e lamentou não o ter conseguido. Ao novo líder, Boris prometeu: "Vou apoiá-lo tanto quanto conseguir".

Boris referiu também que o calendário para a eleição de um novo líder dos conservadores será estabelecido na próxima semana, prevendo-se que a substituição aconteça no congresso no outono.

A demissão é o culminar de uma série de demissões de governantes que se posicionaram publicamente contra a continuidade do primeiro-ministro no cargo, alegando falta de confiança devido aos sucessivos escândalos.

O líder do governo terá já informado a Rainha Isabel II da sua decisão, adianta a Reuters, citando uma jornalista.

A onda de demissões começou com a saída de dois pesos pesados, os ministros da Saúde, Sajid Javid, e das Finanças, Rishi Sunak, na terça-feira, na sequência de mais um escândalo, depois de Downing Street ter reconhecido que o primeiro-ministro tinha sido informado já em 2019 de antigas acusações contra Chris Pincher mas que teria esquecido o assunto.

A pressão foi crescendo à medida que as demissões se foram sucedendo, depois de Boris Johnson se ter recusado na quarta-feira a deixar o cargo. Já esta quinta-feira, o dia arrancou com novas demissões, entre as quais a do ministro para a Irlanda do Norte. Brandon Lewis disse lamentar "profundamente" deixar o executivo, frisando que "de um governo se espera honestidade, integridade e respeito mútuo".

Decisão igual tomou a ministra da Educação, nomeada há dois dias para o cargo. Michelle Donelan apelou a Boris Johnson para que renunciasse "pelo bem do país" e do "partido", sublinhando que "ambos são mais importantes do que qualquer pessoa". Na carta de demissão, a governante afirmou ainda que o líder do governo colocou os seus ministros "numa situação impossível".

Antes da comunicação oficial de Boris, o líder da oposição do Reino Unido, o trabalhista Keir Starmer, já tinha considerado "uma boa notícia para o país" a saída do Conservador da liderança do Governo, que só peca por tardia. "Já deveria ter ocorrido há muito tempo", disse em comunicado.

Starmer defendeu também que o Reino Unido "não necessita de mudar de 'tory' (membro do Partido Conservador, cujo líder chefia o executivo)", mas sim "de uma mudança completa de governo".

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