"Foi como viver no inferno." Pugilista afegão em Portugal garante que o seu povo odeia os taliban

Atleta não tem conseguido contactar com amigos ou familiares.

Farid Walizadeh é afegão e está em Portugal há dez anos. É refugiado, atleta do Comité Olímpico Internacional, e vive no Centro de Rendimento do Jamor. À TSF, o pugilista garante que os afegãos odeiam os talibans, mas não podem dizê-lo por medo de represálias e confessou a angústia de não conseguir contactar os familiares que ainda tem no país.

É impossível contactar quem está no Afeganistão a partir de fora. Os talibã controlam as comunicações do país que, por si só, já tem infraestruturas fracas, sobretudo fora das grandes cidades. Por muito que ligue e mande mensagens a familiares e amigos, nada chega ao destinatário. Ou, se chegam, não há resposta.

"Não podemos ter nenhuma notícia nem nenhuma ligação neste momento. Como estão sob controlo dos taliban, eles estão a fechar tudo. Não sei onde estão, se estão vivos ou mortos. Ninguém sabe", desabafou à TSF Farid Walizadeh.

O atleta tem apenas 24 anos e, por isso, não tem memória de como era viver no regime taliban, que foi interrompido em 2001, mas os familiares e amigos relatam-lhe um cenário de terror.

"Aquele tempo foi como viver no inferno. As escolas vão ficar fechadas, as mulheres não vão poder estudar nem ir ao hospital. Têm os filhos em casa onde os militares taliban entram, as violam e as obrigam a casar com os seus militantes", contou o pugilista afegão.

Por isso, Farid não tem dúvidas: o povo afegão rejeita por completo o regime talibã.

"Todo o povo afegão odeia os taliban, mas como não conseguem dizer ou fazer nada, não têm como conseguir viver em paz para não serem violados, roubados e mortos. Vão falar da maneira que os taliban querem", garante Farid.

O atleta tem grande parte da família mais próxima em Portugal, onde diz que se sente tratado com a segurança e dignidade que é impossível ter no Afeganistão governado por talibãs.

"Em Portugal sou tratado como humano, não tenho a violência ou racismo que tinha no Afeganistão. Sou bem recebido e estou feliz, em paz. Saio de casa sem medo que algum taliban me mate, rapte ou viole", acrescentou o pugilista.

Farid chegou a Portugal em 2011, vindo de uma cidade no norte do Afeganistão. Como pugilista esteve na qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, na equipa de refugiados.

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