Detidos dois norte-americanos acusados de ajudar na fuga de ex-presidente da Nissan

Carlos Ghosn fugiu do Japão quando aguardava julgamento por suspeitas de corrupção.

Um ex-militar norte-americano e o seu filho foram detidos hoje, acusados de terem ajudado Carlos Ghosn, ex-presidente da construtora automóvel Nissan, a fugir do Japão, enquanto aguardava julgamento.

Michael Taylor, um ex-boina verde (corpo especial do Exército dos EUA) de 59 anos e especialista em segurança privada, e o seu filho Peter Taylor, de 27 anos, são procurados pelas autoridades do Japão, sob suspeita de terem ajudado Ghosn a sair do país em dezembro passado, depois de ter sido libertado sob fiança num processo de acusações de má gestão financeira.

Os Taylor foram detidos hoje em Harvard, estado de Massachusetts, e devem comparecer numa sessão de tribunal por videoconferência ainda hoje, segundo o Departamento de Justiça dos EUA.

Ghosn alega que fugiu do Japão porque acreditava que não teria direito a um julgamento justo e porque estava sujeito a condições injustas de detenção, tendo sido mesmo impedido de contactar com a sua mulher, nas condições da fiança.

O ex-patrão do grupo automóvel Nissan diz-se inocente das acusações de que é alvo, segundo as quais alterou os valores dos seus rendimentos futuros e desviou dinheiro da empresa para benefício pessoal.

Na fuga, Ghosn terá sido ajudado por Peter Taylor, que viajou para o Japão pelo menos três vezes desde julho de 2019 e se encontrou com o ex-presidente da Nissan pelo menos sete vezes, segundo os registos da investigação judicial, que hoje começam a ser analisado pelo tribunal.

Imagens de videovigilância mostram que, um dia antes da fuga de Ghosn, em dezembro de 2019, Peter Taylor se encontrou com ele num hotel de Tóquio, por cerca de uma hora, segundo as autoridades japonesas.

No dia seguinte, Michael Taylor voou para o Japão num jato particular dos Emirados Árabes Unidos, na companhia de um outro homem, George-Antoine Zayek, transportando duas grandes caixas pretas, alegando serem músicos que carregavam equipamentos de áudio, segundo documentos do tribunal.

Nesse período, Ghosn regressava ao quarto de hotel onde, mais tarde chegariam Michael Taylor e Zayek e Peter Taylor partia para o aeroporto, onde embarcou num voo para a China, segundo documentos do tribunal.

As caixas pretas de grandes dimensões terão sido utilizadas para esconder Ghosn, que conseguiu passar por um posto de segurança e foi carregada num jato particular com voo marcado para a Turquia.

Dois dias depois, em 30 de dezembro, o ex-patrão da Nissan anunciou publicamente que estava no Líbano, assumindo ter fugido das autoridades do Japão.

As autoridades libanesas disseram que Ghosn entrou no país legalmente com um passaporte francês, embora tenha sido obrigado a entregar todos os três passaportes aos seus advogados, sob os termos de sua fiança.

Em 07 de janeiro, a justiça japonesa emitiu um mandado de detenção para a mulher de Carlos Ghosn, Carole Ghosn, por suspeita de falsos testemunhos na investigação do caso do seu marido.

No dia seguinte, Carlos Ghosn disse estar a ser alvo de uma cabala e prometeu limpar o seu nome, enquanto a justiça japonesa emitia mandados de detenção internacionais para o ex-presidente da Nissan e para os homens que tinham ajudado na sua fuga.

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