Forças de Mísseis Estratégicos iniciam manobras no sul da Rússia

As Forças de Mísseis Estratégicos são um dos principais componentes das forças estratégicas nucleares da Rússia e têm como objetivo a contenção de uma possível agressão ao país.

As Forças de Mísseis Estratégicos russas iniciaram, esta quinta-feira, manobras de grande envergadura na região de Oremburgo, sul da Rússia, com a participação de três mil efetivos e 300 sistemas de combate no contexto da "operação especial militar" na Ucrânia.

"Nos exercícios da Unidade de Mísseis, em Yasnensk, região de Oremburgo, participaram mais de 300 militares e mais de 300 equipamentos de combate", disse o gabinete de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia num comunicado citado pela agência Interfax.

Estas forças dispõem de um arsenal de mísseis Yars, capazes de destruir alvos a 11 mil quilómetros de distância além dos sistemas de mísseis Voyevoda, Stilet, Topol-M e o novo Avangard.

As manobras que decorrem a 1.500 quilómetros a leste da fronteira da Ucrânia estão a ser dirigidas pelos oficiais das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia e patentes do Distrito Militar Central das Forças Armadas da Rússia.

Nos exercícios participa o Primeiro Regimento de Mísseis Estratégicos Avangard.

Estas armas (míssil Avangard) estão equipadas com uma ogiva hipersónica de cruzeiro capaz de atingir velocidades Mach 27 (27 vezes a velocidade do som), estando integradas no sistema de defesa russo desde dezembro de 2019.

"Correspondendo ao plano de preparação das Forças de Mísseis Estratégicos para 2022, o comando destas tropas leva a cabo uma inspeção integral da Unidade de Mísseis de Oremburgo", diz ainda o Ministério da Defesa da Rússia.

Durante os exercícios vão pôr-se em prática manobras de evasão de unidades atacadas, resposta a meios aéreos modernos assim como sistemas de alerta em caso de ataque com este tipo de armamento (nuclear), refere o mesmo documento.

"O principal objetivo dos exercícios é aperfeiçoar o trabalho em equipa dos órgãos de comando militar, melhorar a preparação prática e do comando dos oficiais da unidade de mísseis (...) capacidade de combate, organização e abastecimento geral das tropas", acrescenta o Ministério da Defesa de Moscovo.

No passado dia 27 de fevereiro, três dias depois da invasão da Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin ordenou a prontidão das forças de contenção, na sequência das "declarações" consideradas "agressivas" dos países da NATO que condenaram de imediato a "operação especial" em território ucraniano.

Na altura, as instruções foram comunicadas após uma reunião entre o chefe de Estado, o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu e o Chefe e Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, Valeri Gyuerasimov.

Esta quinta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou sobre o aumento da ameaça nuclear russa no quadro da guerra na Ucrânia afirmando que põe em perigo a segurança global.

"Durante dezenas de anos não houve ameaça de um ataque nuclear como a que temos agora, porque os propagandistas russos discutem abertamente a possibilidade do uso de armas nucleares contra aqueles que não querem submeter-se às ordens [da Rússia]", disse Zelensky num discurso transmitido em direto e com tradução simultânea perante os parlamentares australianos.

A Rússia lançou, a 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.189 civis, incluindo 108 crianças, e feriu 1.901, entre os quais 142 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de quatro milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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