Forças russas vão reforçar defesa antiaérea da central de Zaporizhzhia

"Não se pode ignorar o óbvio, a situação está a tornar-se mais perigosa a cada dia que passa", disse a porta-voz do Ministério russo, Maria Zakharova.

As autoridades pró-russas da região de Zaporizhzhia, na Ucrânia, onde se encontra a maior central nuclear da Europa, anunciaram esta o reforço da defesa antiaérea do complexo para evitar que seja atacado.

"As medidas de defesa antiaérea serão reforçadas", disse o líder pró-russo de Zaporizhzhia Yevgheny Balitsky à televisão estatal russa, citado pela agência espanhola EFE.

Balitsky disse que a central nuclear está agora a funcionar normalmente, após terem sido feitas reparações nas linhas elétricas e edifícios danificados num ataque em 5 de agosto, que a Rússia atribuiu às forças ucranianas.

Situada no sudeste da Ucrânia, a central está sob controlo das forças russas desde os primeiros dias da ofensiva militar que Moscovo lançou em 24 de fevereiro.

O Governo russo anunciou, na segunda-feira, a sua disponibilidade para facilitar uma visita da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) à central nuclear.

"Não se pode ignorar o óbvio, a situação está a tornar-se mais perigosa a cada dia que passa", disse a porta-voz do Ministério, Maria Zakharova.

Segundo Zakharova, o lado russo informa diariamente os peritos da AIEA sobre o estado da central nuclear.

A Ucrânia acusou a Rússia de atacar a central nuclear e de criar uma "situação extremamente perigosa para toda a Europa".

O Governo ucraniano pediu também à AIEA que envie uma missão internacional de peritos para a central antes do final de agosto.

No sábado, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, manifestou-se preocupado com o ataque de sexta-feira, e avisou que se estava a "brincar com o fogo", alertando para o "risco muito real de uma catástrofe nuclear".

O chefe da administração militar ucraniana de Zaporizhzhia disse esta terça-feira que a central contém cerca de 1.200 toneladas de combustível nuclear e que um eventual incidente afetaria não só a Ucrânia, mas também a Rússia.

"Uma bomba nuclear contém nove quilos de urânio ou plutónio, e a nossa instalação tem 1200 toneladas. A contaminação pode ser bastante elevada, mas... é a roleta russa", escreveu Oleksandr Starukh na rede social Telegram, citado pela EFE.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), um centro de estudos com sede em Washington, disse que imagens aéreas divulgadas por um canal da oposição russa, em 5 de agosto, mostravam "veículos militares russos a circular dentro e à volta da central".

As imagens formam recolhidas por um 'drone' (aeronave não tripulada) do 'site' de jornalismo de investigação Bellingcat, com sede nos Países Baixos.

"As forças russas também escavaram trincheiras dentro e à volta da central e podem ter estabelecido posições de tiro", segundo o ISW.

O mesmo instituto assinalou que os russos dizem que a Ucrânia "tem atacado repetidamente a central" e que os ucranianos acusam as forças russas de atacar as suas posições a partir do interior da central, que estariam a usar como "escudo nuclear".

Na avaliação do ISW, que tem seguido a guerra na Ucrânia, "as forças russas estão provavelmente a alavancar a ameaça de desastre nuclear para diminuir a vontade ocidental de fornecer apoio militar a uma contraofensiva ucraniana".

Além de terem imposto sanções a Moscovo, vários países ocidentais têm fornecido armas à Ucrânia para enfrentar a invasão russa.

A Ucrânia tem quatro centrais nucleares em funcionamento, com um total de 15 reatores, seis dos quais na de Zaporizhzhia.

Segundo a operadora de centrais nucleares ucraniana Energoatom, apenas dois dos seis reatores de Zaporizhzhia estão atualmente ativos.

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