Forte seca na Califórnia determina restrições ao consumo de água

O inverno seco na região levou à imposição de uma situação de emergência pela escassez de água. A porta-voz do Distrito, Rebecca Kimitch, revelou que "a água não existe".

O fornecedor de água à Califórnia do Sul tomou a decisão inédita de exigir a cerca de seis milhões de pessoas que reduzam as regas a um dia por semana, perante a seca prolongada antecedida por outro inverno seco.

A direção do Distrito Metropolitano da Água da Califórnia do Sul declarou, na terça-feira, uma situação de emergência, pela escassez de água, e quer que algumas cidades e agências de distribuição de água apliquem cortes até 1 de junho, sob pena de multas pesadas.

"Não temos água suficiente para responder à procura normal. A água não existe", disse a porta-voz do Distrito, Rebecca Kimitch. "Este é território desconhecido. Nunca fizemos nada como isto".

As restrições do Distrito Metropolitano da Água aplicam-se a áreas dos condados de Los Angeles, Ventura e San Bernardino, que dependem da água estatal distribuída pelo Distrito, incluindo partes da cidade de Los Angeles. As áreas afetadas são principalmente urbanas.

O objectivo da limitação do uso da água para regar jardins e plantas ou na lavagem de carros é poupar água agora para uso doméstico posterior, no verão, quando aumenta o uso da água, disse na quarta-feira o diretor-geral do Distrito Metropolitano da Água da Califórnia do Sul, Adel Hagekhalil.

Este Distrito usa água do Rio Colorado e do Projeto Estadual da Água - um vasto sistema de armazenagem e fornecimento de água -- para abastecer 26 agências públicas que fornecem água a 19 milhões de pessoas, 40% da população do Estado.

Mas as condições de seca recorde abalaram o sistema, baixaram os níveis dos reservatórios e o Projeto Estadual da Água, que obtém a sua água do delta do Rio Sacramento - San Joaquin, estimou que só será capaz de fornecer apenas cinco por cento da quantidade habitual, o queacontece pelo segundo ano consecutivo.

Os meses de Janeiro, fevereiro e março forma os mais secos na história da Califórnia, em termos de chuva e queda de neve, disse Kimitch.

O Distrito Metropolitano avançou que os anos de 2020 e 2021 tinham registado a menor precipitação registada em dois anos consecutivos. Para mais, o Lago Oroville, o principal reservatório do Projeto Estadual da Água, atingiu o seu nível mais baixo desde que encheu na década de 1970.

O governador do Estado, Gavin Newsom, solicitou aos californianos que reduzam voluntariamente o seu consumo de água em 15%, mas até agora a adesão a este pedido tem sido baixa.

Vários outros Distritos instituíram medidas de conservação de água.

Na terça-feira, a direção do Distrito de Serviços Públicos Municipais da Baía de São Francisco, no norte do Estado, votou a redução do consumo de água em 10% e limitou o consumo diário para cerca de 1,4 milhões de clientes nos condados de Contra Costa e Alameda, incluindo Oakland e Berkeley.

As seis agências clientes de água do Distrito Metropolitano nas áreas afetadas pela decisão de terça-feira têm de assegurar a restrição ao uso da água no exterior das casas uma vez por semana, ou conseguir reduções equivalentes na procura de água.

Se estas agências locais falharem nestes objetivos vão ser multadas, disse na quarta-feira o chefe executivo do Distrito Metropolitano da Água, Deven Upadhyay.

Entretanto, os congressistas estaduais começaram a baixar o padrão para o consumo doméstico de água.

Hoje em dia, o uso doméstico de água na Califórnia é de 208 litros por pessoa, por dia. Mas o Senado estadual aprovou na semana passada, por maioria esmagadora, a descida deste limite para 178 litros a partir de 2025 e 159 litros a partir de 2030.

O Oeste dos EUA está a viver uma seca severa, apenas uns anos depois de chuvas e nevões recorde terem enchido os seus reservatórios.

Os cientistas têm dito que este ciclo de altos e baixos é provocado pelas alterações climáticas e que as secas vão ser mais longas e fortes. Um estudo divulgado no início deste ano apurou que os EUA estão no meio de uma mega seca, que é a mais forte dos últimos 1.200 anos.

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