França anuncia medidas da segunda fase de desconfinamento

Édouard Philippe anunciou esta quinta-feira a segunda fase do levantamento das medidas de confinamento em França, aplicadas a partir da próxima terça-feira, dia 2 de junho.

França está em estado de emergência até 24 de julho, contabiliza 145.746 casos de Covid-19, 28 596 mortes e iniciou o seu desconfinamento no passado dia 11 de maio. Três semanas depois, o primeiro-ministro francês considera que o balanço "é positivo", apesar de"não podermos correr o risco da imprudência".

De acordo com os indicadores de propagação do vírus, nenhum distrito está identificado vermelho, "todos os indicadores são verdes, com a exceção dos departamentos de Val d"Oise, Mayotte e Île de France", que passaram ao estado cor de laranja.

As medidas aplicadas a partir da segunda fase de desconfinamento, que arranca na próxima semana, "vão beneficiar todos os distritos", de maneira diferente, visto que "observaremos com especial vigilância os departamentos" onde "o vírus circula mais intensamente do que noutros, pelo que preocupações específicas permanecem" e onde, consequentemente, "o levantamento das medidas será, nas próximas três semanas, um pouco mais cauteloso do que no resto do território. Durante esta fase 2, a liberdade torna-se regra e a proibição, exceção".

Édouard Philippe considera que apesar da sua presença "em diferentes graus" em todo o território, a "velocidade da propagação está neste momento sob controlo. Estamos um pouco melhor do que esperávamos estar, o que é uma muito boa notícia", apesar de "não o suficiente para que tudo volte ao normal".

A tensão hospitalar permanece nas zonas laranja, apesar de uma descida significativa do número de pessoas em reanimação, "de mais de 7.000 no pico da vaga para menos de 2.000 hoje. Mas menos de 2.000 hoje, ainda representa 30% de nossa capacidade em reanimação".

Novas medidas foram anunciadas, tal como a reabertura de escolas em todo o território. "Decidimos acelerar a reabertura de escolas e faculdades em todos os distritos e de escolas secundárias", tanto quanto a reabertura de parques e jardins. O primeiro-ministro alerta no entanto que a "liberdade redescoberta implica restrições que são, de certa forma, equivalentes [no território]. A limitação de agrupamentos de 10 pessoas no espaço público é mantida. O princípio do teletrabalho deve sempre ser favorecido".

Os gestos de distanciamento social devem permanecer rigorosos e o uso de máscara "é agora amplamente recomendado pelas autoridades de saúde".

Tomando em consideração o aumento histórico de 843.000 novas pessoas desempregadas em abril, "o país terá que lutar contra o impacto de uma recessão histórica".

O primeiro-ministro aconselhou também o uso voluntário da aplicação StopCovid, que toma como objetivo o rastreio de potenciais casos de Covid-19. A aplicação tem gerado grande debate na sociedade francesa nos últimos dois meses face a receios de ameaça a liberdades individuais, pela utilização de dados de pessoais tal a geolocalização.

Olivier Véran, ministro da Saúde, indicou que "a taxa média de resultados positivos dos testes de PCR realizados em pessoas suspeitas de estarem infetadas pelo coronavírus é de apenas 1,9%". Durante o período de quarentena, essa taxa foi "quase dez vezes maior".

Através dos diferentes indicadores, "podemos considerar que a epidemia está a regredir" apesar de alguns distritos permanecerem em alerta cor de laranja, razão pela qual "medidas devem ser tomadas a nível regional e não em nível distrital".

O Ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, indicou que todos os estabelecimentos de ensino vão voltar a abrir as portas no próximo dia 2 de junho. "A reabertura de escolas e estabelecimentos de ensino é uma emergência social, e também um imperativo educacional", sendo que até hoje "mais de 80% das escolas primárias foram abertas e esse número aumenta a cada dia. Mais de 90% das Câmaras Municipais decidiram reabrir as escolas e estamos a trabalhar para atingir a meta de 100% na próxima semana", garantido as medidas de restrição, como grupos limitados a "15 alunos no máximo".

Desta feita, Édouard Philippe anunciou a reabertura de bares e cafés "que constituem uma área vital para a economia" do país, aplicando-se medidas de distanciamento social. "As pessoas que optem por jantar ou almoçar juntas podem sentar-se na mesma mesa, dentro do limite de uma capacidade máxima de 10 por mesa", devem manter "uma distância mínima de um metro entre as mesas de cada grupo" e evitar-se o consumo no bar, em ambientes fechados.

Nos departamentos sujeitos a uma vigilância particular - os departamentos de Ile de France, Mayotte e Guiana - apenas as esplanadas vão poder abrir a partir da próxima semana.

Os alojamentos turísticos e campos de férias podem abrir a partir de dia 2 de junho em todos os distritos classificados verdes. Nos departamentos laranja, "só podem reabrir na terceira fase do confinamento, ou seja após 22 de junho".

Édouard Philippe anunciou ainda o fim do limite dos deslocamentos a 100 km do domicílio, mas as fronteiras permanecem fechadas, "França será a favor da reabertura das fronteiras internas na Europa, a partir de 15 de junho, se a situação sanitária o permitir, é claro, sem quarentena obrigatória para viajantes de países europeus. Aplicaremos medidas de reciprocidade aos estados europeus que decidirem fechar suas fronteiras ou impor quarentena aos franceses", disse, apelando à responsabilidade individual: "Quanto menos circulamos, menos o vírus se propaga."

A partir de dia 2 de junho, praias, lagos, parques, museus e monumentos também reabrem portas em todo o território.

Nas zonas verdes, salas de espectáculos e teatros, ginásios, piscinas, parques ao ar livre podem abrir a partir de 2 de junho. As zonas laranja aguardam pelas medidas anunciadas para a terceira fase. Em todo o território, cinemas reabrem portas a partir de 22 de junho. Todos os eventos ao ar livre são limitados a 5000 pessoas. Discotecas, salas de jogos e estádios permanecem fechados pelo menos até dia 21 de junho.

O primeiro-ministro considera que hoje os franceses possuem mais elementos que lhes permitem organizar o verão: "As viagens na Europa, serão, espero, permitidas. No que diz respeito às relações fora da Europa, teremos de nos harmonizar com nossos países vizinhos e tomar decisões de acordo com o Estado e a evolução dos riscos."

A terceira fase de desconfinamento em França está marcada para dia 22 de junho.

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