França e Alemanha preocupadas com eventual intervenção militar turca na Síria

Tropas norte-americanas começaram, esta segunda-feira, a retirar setores próximos da fronteira turca.

A França e a Alemanha manifestaram esta segunda-feira preocupação por uma eventual incursão militar da Turquia no nordeste da Síria, ao considerarem que essa intervenção poderá agravar a instabilidade do país, em guerra desde 2011.

Em Paris, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros considerou que uma operação militar turca poderá contribuir para o ressurgimento do grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) e apelou à manutenção dos 'jihadistas' estrangeiros nos campos sob controlo curdo no nordeste do país.

"Apelamos à Turquia que evite uma iniciativa que iria contra os interesses da Coligação global contra o Daesh [acrónimo árabe do EI] da qual faz parte", considerou Agnès von der Mühll em comunicado.

"O Daesh, que passou à clandestinidade desde a sua derrota territorial, permanece uma importante ameaça para a nossa segurança nacional. Na Síria, a organização ainda dispõe de recursos e de capacidades de ação importantes", assinalou.

As tropas norte-americanas estacionadas no norte da Síria iniciaram esta segunda-feira a sua retirada dos setores próximos da fronteira turca, abrindo o caminho para uma ofensiva militar turca contra as forças curdas que foram apoiadas por Washington no seu combate contra os 'jihadistas".

"Qualquer ação unilateral poderá originar consequências humanitárias importantes e não permitiria reunir as condições necessárias ao regresso seguro e voluntário dos refugiados às suas regiões de origem", prosseguiu a porta-voz do Quai d'Orsay.

Em Berlim, o Governo alemão também demonstrou preocupação por uma eventual incursão da Turquia no nordeste sírio, e que poderá agravar a situação de instabilidade no país ainda em guerra.

Ulrike Demmer, a porta-voz da chanceler Angela Merkel, disse hoje que a Alemanha está consciente da "particular situação de política de segurança" que a Turquia enfrenta nas suas fronteiras. No entanto, sublinhou que o sucesso no combate ao EI, que disse ter sido concretizado em grande parte pelas forças curdas sírias com apoio internacional, "não deve ser posto em risco".

No seu comunicado de domingo que anunciou uma retirada militar norte-americana da zona fronteiriça, a Casa Branca também admitiu a possibilidade de confiar à Turquia a responsabilidade dos combatentes europeus do EI atualmente detidos pela coligação árabe-curda e na qual as Unidades de Proteção Popular (YPG, a milícia curda síria) se têm destacado.

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