França em protestos contra restrições da Covid-19 pela quarta semana consecutiva

A partir de segunda-feira, será necessário apresentar certificado de vacinação, teste PCR negativo ou atestado de recuperação da doença para ter acesso a cafés e restaurantes, salas de espetáculo e feiras profissionais, ou para fazer uma viagem longa de avião, comboio ou autocarro.

Pela quarta semana consecutiva, os franceses protestam contra as restrições impostas pela pandemia de Covid-19, nomeadamente o passe sanitário e a vacinação obrigatória para profissionais de saúde. Para este sábado, foram convocadas manifestações em mais de 150 cidades.

Os protestos coincidem com uma nova mensagem transmitida por Emmanuel Macron, que apelou à vacinação, numa altura em que 44 milhões de franceses já receberam pelo menos uma dose (quase 66% da população). Mais de 36 milhões de pessoas em França - cerca de 54% da população - estão totalmente vacinadas. Pelo menos 7 milhões de pessoas receberam a primeira dose da vacina depois da imposição do certificado Covid-19, anunciado por Macron em 12 de julho.

Na quinta-feira, o Tribunal Constitucional validou a medida, adotada em julho por lei, que prevê a extensão do uso do passe sanitário a mais espaços públicos, e estabelece a obrigatoriedade de vacinação do pessoal de saúde. Desta forma, a partir de segunda-feira, será necessário apresentar certificado de vacinação, teste PCR negativo ou atestado de recuperação da doença para ter acesso a cafés e restaurantes, salas de espetáculo e feiras profissionais, ou para fazer uma viagem longa de avião, comboio ou autocarro.

A obrigatoriedade da apresentação do passe estava já em vigor para o acesso a locais culturais e recreativos, incluindo cinemas, salas de concertos e parques temáticos com capacidade para mais de 50 pessoas.

As autoridades enfatizam que o número de hospitalizações e de mortes diárias por Covid-19 voltaram a aumentar.

Fontes policiais dizem prever, para este sábado, "mais ou menos o mesmo número de manifestantes" das semanas anteriores. A 31 de julho, protestaram pelo menos 204 mil pessoas. "Macron, não quero o teu passe" ou "Macron>, não queremos nem ver-te" foram alguns dos gritos ouvidos em Paris, onde pelo menos mil pessoas, acompanhadas por um dispositivo policial, se reuniram para protestar.

Boa parte dos manifestantes, alguns vacinados, vê nesta imposição do passe sanitário uma "obrigação disfarçada de se vacinar" e "uma sociedade de controlo", e temem que os empregadores possam suspender temporariamente o contrato de um funcionário se ele não tiver o passe em ordem. Também há quem se recuse a ser usado "como cobaia" para as novas vacinas.

Na cidade de Cambrai, onde se reuniam cerca de cem manifestantes, algumas lojas fecharam como forma de protesto contra o passe sanitário. Na semana passada, em alguns locais, houve confrontos com as forças de segurança. Em Montpellier, os manifestantes insultaram um farmacêutico que estava a realizar testes à Covid no seu estabelecimento, chamando o homem de "colaborador" (como chamavam a quem ajudava o regime nazista na França) e "assassino".

As sondagens, contudo, mostram que a maioria das pessoas em França apoia os passes de saúde, que certificam que as pessoas estão vacinadas, apresentaram um teste recente negativo ou recuperaram da Covid-19.

Muriel, 55 anos, uma parisiense que se recusou a revelar o seu apelido, disse à agência Associated Press (AP) que protesta especialmente "contra a vacinação obrigatória disfarçada". "É um golpe inacreditável contra as nossas liberdades fundamentais e por isso não estou de acordo".

Ghislain, 58 anos, que também não deu o seu apelido, chamou a atenção para as greves de trabalhadores hospitalares e bombeiros, esperadas já a partir de segunda-feira, e para o movimento de boicote esperado aos restaurantes.

Um protesto separado organizado pelo político de extrema-direita Florian Philippot reuniu milhares de pessoas junto ao Ministério da Saúde no centro de Paris, onde muitos manifestantes exibiram bandeiras francesas e apelaram à demissão do Presidente francês, Emmanuel Macron.

Na ilha da Reunião, um território francês no oceano Índico que se encontra sob confinamento parcial devido a um surto de Covid-19, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a campanha de certificação obrigatória.

A França regista diariamente mais de 21.000 novos casos confirmados de contaminação pelo vírus SARS-CoV-2, numa tendência de subida pronunciada desde há um mês, e mais de 112.000 pessoas já morreram por razões associadas à Covid-19.

Um número crescente de países europeus começou a impor a apresentação do certificado de saúde Covid-19, cada um com regras ligeiramente diferentes.

O "passe verde" em Itália entrou em vigor esta sexta-feira. A Dinamarca foi pioneira nos certificados de vacina, que enfrentaram fraca resistência por parte da população dinamarquesa. Na Áustria, o passe é necessário para entrar em restaurantes, teatros, hotéis, instalações desportivas e cabeleireiros.

Em contrapartida, na Alemanha, os protestos em Berlim no passado fim de semana provocaram violentos confrontos com a polícia.

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