França intensifica investigações a certificados digitais falsos

Uma rede que recuperava os identificadores dos farmacêuticos conseguiu vender entre 5.000 e 10.000 certificados falsos com um lucro de cerca de dois milhões de euros.

A proliferação de certificados digitais falsos em França está a levar as autoridades a intensificar as investigações, tendo já abertos 400 inquéritos e detido mais de uma centena de pessoas, informaram este sábado as autoridades.

De acordo com a equipa do ministro do Interior francês, circulam em França 110.000 certificados digitais Covid-19 falsos desde que o sistema foi introduzido no verão.

Uma rede que recuperava os identificadores dos farmacêuticos no website da Ordem Nacional de Farmacêuticos conseguiu vender entre 5.000 e 10.000 certificados falsos com um lucro de cerca de dois milhões de euros.

A ciber-investigação, que ainda está em curso, já identificou um casal, detido no início de dezembro, soube a AFP por uma fonte próxima do caso.

"Houve mais de uma centena de detenções das 400 investigações que começaram", disse na quinta-feira o ministro do Interior Gérald Darmanin. De acordo com a equipa do ministério do Interior, estas detenções visam tanto os utilizadores como as redes de tráfico.

Vários modos de funcionamento foram identificados pelos investigadores, incluindo a compra de certificados de vacinação falsos na Internet e a utilização fraudulenta de um código QR atribuído a um terceiro.

As autoridades estão também a localizar profissionais de saúde ou agentes administrativos que fornecem certificados falsos.

"Assistimos a um forte aumento deste fenómeno desde o verão nas redes sociais, mas sem recrudescimento desde o não reembolso de testes para pessoas não vacinadas", disse à AFP o General Marc Boget, comandante da polícia do ciberespaço, encarregado de 200 investigações sobre certificados e que identificou cerca de 92.000 em circulação.

"Estamos a assistir a um 'modus operandi' cada vez mais elaborado onde os vigaristas modificam remotamente as palavras-passe dos profissionais de saúde e podem assim gerar certificados nos seus nomes", explicou o General Boget, que está a investigar em conjunto com o Gabinete Central de Luta contra as Violações Ambientais e de Saúde Pública.

Estas redes são semelhantes ao "crime organizado com recrutadores, cúmplices, traficantes, delinquentes com múltiplas cartas que exploram o desejo de alguns de não serem vacinados", de acordo com o general.

No departamento de Hérault, no sul da França, os ciber-investigadores prenderam um bombeiro e um fisioterapeuta, que serão julgados em fevereiro por fornecerem 123 falsos testes antigénicos negativos a cerca de 30 dos seus familiares.

Estas falsificações permitiram aos 35 destinatários realizar atividades ou "viagens de conforto" sujeitas à apresentação de um passe, de acordo com a polícia.

A utilização de um documento falso é uma infração que implica uma pena de prisão até três anos e uma multa de 45.000 euros.

Na região parisiense, um médico suspeito de vender pelo menos 220 certificados falsos - a 1.000 euros cada - foi colocado em prisão preventiva no final de novembro, segundo o Ministério Público da cidade de Créteil.

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