França volta a confinar. "Não é novidade, mas é uma realidade à qual não podemos escapar"

Tal como na primavera, os franceses terão de se deslocar com um certificado para justificar as saídas do domicílio.

A França, duramente atingida por uma segunda vaga de contaminações do novo coronavírus, estará em confinamento obrigatório a partir desta sexta-feira. Durante um discurso televisivo de cerca de vinte minutos, o Presidente francês declarou que o confinamento provou "conter o vírus" durante a primeira vaga.

O novo confinamento é, no entanto, menos rígido do que o conhecido na primavera passada, pelo que as escolas permanecem abertas. O Chefe de Estado justificou esta medida pelo facto de jovens "não poderem ficar privados da educação".

Olivier Faure, líder do partido socialista, reagiu ao anúncio e considera que a França tinha "consciência da existência de uma segunda vaga" e "infelizmente esperámos e hoje encontramo-nos numa situação de confinamento que não é uma novidade feliz, mas à qual não podemos escapar".

Bares, restaurantes e "lojas não essenciais" fecham as portas novamente, num dispositivo de confinamento que será reavaliado todas as duas semanas, garantiu Emmanuel Macron.

Tal como na primavera passada, os franceses terão de se deslocar com um certificado para justificar as saídas do domicílio, para ir trabalhar, ir a uma consulta médica, prestar assistência a outrem, fazer suas compras essenciais ou para passeios higiénicos.

"O confinamento é uma solução de urgência", aponta o médico Gerald Kierzek, "é uma solução que trata o sintoma mas não a causa." A necessidade de antecipar o desconfinamento pode, segundo o urgentista, evitar um confinamento posterior e garantir que todos os pacientes possam ter acesso aos seus tratamentos, "porque durante a primeira vaga, houve pessoas que não foram operadas, pessoas com cancros não puderam ser tratadas".

Estas medidas são tomadas no seguimento de uma segunda vaga com mais de três mil pessoas internadas nos serviços de reanimação, o que representa mais da metade da capacidade do país, nível que não tinha sido atingido desde o início do mês de Maio. Se nenhuma medida fosse tomada, a França correria o risco de ter « pelo menos 400 mil mortes adicionais » dentro de alguns meses, alertou Macron.

O primeiro-ministro Jean Castex anunciará esta quinta-feira os detalhes das novas medidas tomadas por Emmanuel Macron.

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