Funcionários da OMS denunciam abusos e racismo do diretor regional no Pacífico

Segundo os funcionários que se queixaram, Takeshi Kasai é apresentado como responsável por uma "atmosfera tóxica" no escritório da OMS em Manila, que supervisiona uma vasta região que inclui o Japão e a China.

Um grupo de trinta funcionários da Organização Mundial de Saúde (OMS) fez várias queixas contra o diretor da região do Pacífico, o japonês Takeshi Kasai, denunciando autoritarismo, racismo, abusos verbais e divulgação de informações confidenciais.

De acordo com a Associated Press (AP), que cita a queixa enviada pelos funcionários, ouviu gravações de reuniões internas e entrevistou onze dos funcionários que se queixaram, Takeshi Kasai é apresentado como responsável por uma "atmosfera tóxica" no escritório da OMS em Manila, que supervisiona uma vasta região que inclui o Japão e a China.

"Há uma cultura de abuso ['bullying', no original em inglês] sistemático e de humilhação pública", lê-se na queixa citada pela AP, que conta vários episódios de discussões entre o responsável regional da OMS e os seus funcionários, alguns dos quais acabaram com as pessoas que trabalhavam para Takeshi Kasai a chorar.

"Eu peço muito de mim, e dos nossos funcionários, e isto foi particularmente visível durante a resposta à covid-19, mas isso não deve resultar em as pessoas sentirem-se desrespeitadas", disse Takeshi Kasai em resposta às questões feitas pela AP no seguimento da queixa.

No extenso artigo que dá conta da queixa, da resposta de Kasai e de vários testemunhos anónimos de membros da OMS, a AP dá conta de que o responsável terá partilhado informação com o Governo do Japão sobre as taxas de doença em vários países da região, para que o Japão pudesse tirar vantagens políticas das ofertas de vacinas aos países mais afetados.

Neste aspeto, a queixa dá conta do secretismo à volta das conclusões de uma viagem de Kasai à China, na qual teve uma reunião com o Presidente chinês, pouco depois de o vírus se ter espalhado a partir de Wuhan, e critica "a falta de coragem para criticar as autoridades chinesas".

Kasai disse que estava empenhado em promover mudanças que garantam "um ambiente positivo de trabalho" para todos os funcionários na região, mas um 'email' interno mostra que, "numa reunião na semana passada, Kasai ordenou todos os diretores seniores e os representantes dos países a rejeitaram as acusações e a apoiarem-no totalmente", escreve a AP.

Uma das acusações mais gravosas diz respeito a "comentários racistas e humilhantes de funcionários em função da sua nacionalidade", lê-se na queixa, que cita Kasai a dizer a uma funcionária filipina: "Quantas pessoas no Pacífico é que mataste até agora e quantas mais queres matar? Não consegues fazer boas apresentações porque és filipina?".

Noutra passagem da queixa, a AP dá conta de que Kasai atribuía o aumento do número de casos de Covid-19 nalguns países à "falta de capacidade, devido à sua cultura inferior, raça e nível socioeconómico".

Na resposta à AP, Kasai negou que alguma vez tivesse usado linguagem racista: "É verdade que por vezes sou duro com o 'staff', mas rejeito a ideia de que particularizei alguém em função de uma nacionalidade em particular; o racismo vai contra todos os princípios e valores que defendo enquanto pessoa; eu acredito profunda e sinceramente na missão da OMS de servir todos os países e povos".

A queixa é a última de uma série de incidentes deste género que têm assolado a OMS nos últimos anos, nomeadamente as acusações de abusos sexuais na República Democrática do Congo.

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