G7 reforça sanções contra Moscovo e apoio a Kiev

Entre as novas decisões estão a proibição do comércio de ouro e do transporte de petróleo russos.

O grupo dos sete países mais industrializados (G7) reforçou a condenação da Rússia pela invasão da Ucrânia e as sanções contra Moscovo, numa reunião de três dias que antecedeu a cimeira da NATO em Madrid.

"Após o início da invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, não há regresso para a Rússia", disse o chanceler alemão, Olaf Scholz, após três dias de deliberações com os líderes dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido, França e Itália, na sua qualidade de anfitrião, uma vez que a Alemanha detém a presidência rotativa do grupo.

Participaram também na reunião os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel.

A reunião realizou-se em Elmau, no sul da Alemanha, e antecedeu a cimeira da NATO em Madrid, que decorre até quinta-feira. A cimeira da Aliança Atlântica realiza-se no quadro da invasão russa da Ucrânia, que desencadeou uma guerra que entrou hoje no 125.º dia, ainda sem um fim à vista.

Entre as medidas aprovadas em Elmau, o G7 quer criar um mecanismo para proibir o transporte de petróleo russo, uma das principais fontes de receita de Moscovo, se a sua venda não respeitar um preço máximo acordado com parceiros internacionais.

"Sobre o petróleo, estamos a considerar várias opções, incluindo a possibilidade de uma proibição total dos serviços que permitam o transporte de petróleo e produtos petrolíferos russos a nível mundial", segundo o comunicado da cimeira, citado pela agência espanhola EFE.

Os líderes do G7 convidaram outros países a juntarem-se a esta medida e mandataram os ministros relevantes para continuarem a explorar as possibilidades de desenvolvimento de alternativas às fontes de energia fóssil russas.

Também foi decidido proibir o comércio de ouro russo, sendo que as novas sanções que envolvem países da UE terão ainda de ser integradas em pacotes dos 27.

"Continuaremos a impor custos severos e duradouros à Rússia para ajudar a pôr fim a esta guerra. Para além das suas implicações diretas, a agressão da Rússia está a impedir a recuperação global e a agravar drasticamente a segurança energética global e o acesso aos alimentos", disseram os líderes do G7 no comunicado.

Os líderes do G7 decidiram também organizar uma conferência internacional para a reconstrução da Ucrânia e um plano para a sua concretização, a ser coordenado e implementado por Kiev.

"Estaremos ao lado da Ucrânia enquanto for necessário e prestaremos assistência financeira, humanitária, militar e diplomática para a defesa corajosa da sua soberania e integridade territorial", asseguraram.

O apoio financeiro à Ucrânia ascende a mais de 2.800 milhões de dólares para assistência humanitária (mais de 2.560 milhões de euros ao câmbio atual) este ano, mas o G7 está disposto a reunir 29.500 milhões de dólares (quase 28.000 milhões de euros) em apoio orçamental, segundo a agência EFE.

Se a guerra em si foi um dos temas em destaque, as suas consequências também levaram os líderes do G7 a anunciar um novo pacote de 5.000 milhões de dólares (mais de 4.700 milhões de euros) para combater a insegurança alimentar no mundo.

Os Estados Unidos vão assegurar metade destes fundos destinados a minimizar o bloqueio russo à exportação do trigo ucraniano, que poderá afetar 300 milhões de pessoas.

No comunicado, o G7 disse que as ajudas para garantir a segurança alimentar global criada pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia ascendem já a 14.000 milhões de dólares (cerca de 13.200 milhões de euros).

Os líderes do G7 insistiram que a Rússia deve permitir a reabertura incondicional dos portos e pôr fim aos ataques a instalações portuárias e a infraestruturas de transporte de cereais.

Na declaração, os líderes do G7 também apelam à China para que se envolva nas tentativas de assegurar a retirada da Rússia de território da Ucrânia.

Ainda em relação à China, os líderes do G7 definem o objetivo de "fomentar a diversificação e a resistência à coerção económica e reduzir as dependências estratégicas", denunciando a "falta de transparência e distorção do mercado" por parte de Pequim.

Expressam ainda preocupação com os abusos dos direitos humanos na China, apontando em particular a situação no Tibete e em Xinjiang, onde "o trabalho forçado é uma grande preocupação".

O G7 incluiu ainda nas suas conclusões a luta contra o trabalho escravo nas cadeias de abastecimento para excluir do comércio global os produtos fabricados em condições de exploração.

O G7 considerou também que a guerra exacerbou o impacto económico da pandemia de Covid-19 e atrasou a recuperação iniciada na segunda metade de 2021, com reflexos nos preços da energia e dos alimentos, que levaram a inflação a atingir níveis não vistos em décadas.

Em resposta, o G7 assinalou no comunicado a necessidade de promover ações multilaterais e fórmulas de ajuda aos países mais vulneráveis, incluindo a reestruturação da dívida.

Em matéria ambiental, reafirmaram o compromisso com os Acordos de Paris e sublinharam a importância de se acelerar uma transição para uma neutralidade climática que seja "limpa e justa".

Comprometeram-se a avançar com a descarbonização, que será também um dos objetivos centrais Clube do Clima, um novo fórum aberto a todos que o G7 pretende estabelecer antes do final do ano.

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