Gasoduto ibérico. Costa vai "persistir", Macron fala em "coerência"

Emmanuel Macron anunciou reunião com Costa e Sanchez para discutir interligações.

O primeiro-ministro, António Costa assegurou, na tarde desta sexta-feira, em Praga que vai "persistir" perante o presidente francês, na defesa das interligações da Península Ibérica à rede europeia de energia. Mas, Emmanuel Macron fala em questões ambientais e exige coerência, apesar dos "tempos de crise".

O chefe do governo português entende que a Península Ibérica tem todos os argumentos a favor, enquanto alternativa para garantir a segurança energética europeia, nomeadamente por dispor do "porto mais próximo de alguns dos principais fornecedores de gás natural".

"A começar pelos Estados Unidos, a Nigéria e Trinidad e Tobago", exemplificou o primeiro-ministro, no final da cimeira em que os 27 se dedicaram, por largas horas, a um debate sobre a crise energética na Europa.

António Costa vê, também por esta razão, "vantagens comparativas muito grandes para o desembarque do gás no nosso território e o transporte para o norte e centro da Europa". Esse transporte por ser efetuado "por via naval ou diretamente por gasoduto para quando ele existir".

Mas, recorrendo a argumentos ambientalistas, o presidente francês apela à coerência e anunciou que pretende encontrar-se em Paris com os chefes dos dois governos ibéricos, a quem vai apresentar as motivações de França para rejeitar uma opção que é vista como uma alternativa à gás russo.

"Temos todos de pensar cuidadosamente se a construção de um gasoduto no meio dos Pirenéus em áreas protegidas é a melhor solução", afirmou Emmanuel Macron, reconhecendo porém que "estamos em crise". "Estou a tentar ser coerente com a nossa agenda do clima e da biodiversidade", argumentou.

Mas, deixando entendido que qualquer solução não será para já, afirmou: "Penso que os nossos objetivos que devemos prosseguir, - e digo isto muito claramente -, são completar a abertura da Península Ibérica em termos de gás, hidrogénio e eletricidade, e olhar para os mecanismos que são os mais importantes e as rotas mais relevantes com a estratégia que teremos para os anos e décadas vindouras".

"Dentro de alguns dias verei o primeiro-ministro Sanchez e o primeiro-ministro Costa em Paris. E vamos procurar acordos muito pragmáticos entre nós os três, porque é assim que as coisas são feitas e como elas são bem feitas na Europa", afirmou Macron.

Costa considera que "é preciso persistir. Além do mais, porque o presidente Macron, que disse não é o mesmo Macron que em 2018 assinou em Lisboa uma declaração que previa quer o incremento de interconexões elétricas quer o incremento das interconexões gasíferas".

António Costa viaja na sexta-feira da próxima semana para Berlim, onde discutirá com o chefe do governo espanhol e com o chanceler Olaf Scholz o tema das interligações, agora que a Alemanha se junta à argumentação ibérica.

"A Alemanha, como sabemos, tinha uma política energética assente no abastecimento de gás natural a partir da Rússia. Tudo se alterou radicalmente e, portanto, a Alemanha tem que reorientar as suas fontes de abastecimento", afirmou, frisando que "naturalmente, a Alemanha olha agora para a Península Ibérica de uma forma distinta que olhava anteriormente".

Sobre o debate na cimeira, na parte dedicada à energia, Costa fala num "consenso bastante amplo", em torno das propostas que a presidente da Comissão Europeia.

O primeiro-ministro, António Costa considera que se trata de uma" base de trabalho" para as discussões até à próxima reunião magna, salientando que algumas das propostas vão ao encontro daqui que o governo português tem defendido.

"Fixar um preço máximo para o gás, desenvolver a plataforma, compras conjuntas de gás e também reforçar a unidade do mercado de energia através do desenvolvimento das interconexões entre Estados-Membros da União Europeia", destacou.

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