"Não houve nenhuma retirada significativa" de forças russas da fronteira ucraniana

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, afirma que "pode ter havido algumas rotações, mas a Rússia mantém toda a capacidade que tem vindo a "reforçar" nos últimos dias.

O Ministro da Defesa Nacional português, João Gomes Cravinho, revela que as informações recolhidas pela NATO não vislumbram qualquer retirada de forças militares da Rússia, como foi adiantado esta terça-feira, por isso a situação continua "extremamente perigosa".

"A avaliação que é feita pelos serviços de informações da NATO é que não houve nenhuma retirada significativa de forças. Pode ter havido algumas rotações, mas a Rússia mantém toda a capacidade que tinha há dois ou três dias e aliás até tem vindo a reforçar nestes últimos dias a capacidade de levar a cabo uma ação de muito curto prazo sem pré-aviso", explica o ministro à saída da reunião de ministros da Defesa da NATO.

Segundo Gomes Cravinho, a NATO não vê "nenhum relaxamento da postura agressiva que a Rússia tem tido na fronteira ucraniana".

"Embora tenha havido ontem alguns sinais positivos em termos de afirmações, no terreno ainda não vimos nenhuma alteração", reitera.

Gomes Cravinho afirma que "há profunda preocupação porque a situação permanece extremamente perigosa" e que existe "uma concentração de força militar do lado russo sem precedentes desde o final da Guerra Fria".

"Temos visto por parte da Rússia uma grande agressividade e uma vontade em alterar o equilíbrio de segurança no continente europeu", revela Cravinho, ainda que lembre que a NATO considera que "o diálogo e a diplomacia são a chave" para resolver o problema.

Quanto ao envolvimento de Portugal num possível conflito, o ministro da Defesa garante que não está "previsto nada para além do que foi decidido no último Conselho Superior Nacional do ano passado" e esclarece o possível envio de militares portugueses para a Roménia: " Efetivamente isso está previsto. Faz parte de exercícios habituais. Aconteceu em 2021 e está previsto para acontecer em 2022, mas apenas no último trimestre do ano, por isso não tem nada a ver com esta situação."

"Se for necessário, claro que Portugal fará parte de um esforço suplementar da NATO, mas isso não foi discutido", assegura o ministro.

No rescaldo da reunião dos ministros da Defesa da NATO, João gomes Cravinho revela que "o tema da integração da Ucrânia na NATO não está em cima da mesa" e é um "não tema".

Os ministros da Defesa da NATO, reunidos em Bruxelas entre quarta e quinta-feira, exortaram hoje a Rússia a escolher a via diplomática para a resolver a crise com a Ucrânia, mas, como medida preventiva, confirmaram o reforço da presença militar a Leste.

"As ações da Rússia representam uma séria ameaça à segurança euro-atlântica. Como consequência, e para assegurar a defesa de todos os Aliados, estamos a destacar forças terrestres adicionais para a parte oriental da Aliança, bem como recursos marítimos e aéreos adicionais, tal como anunciado pelos aliados, e aumentámos a prontidão das nossas forças", lê-se numa declaração dos ministros da Defesa da NATO divulgada hoje à tarde.

Acrescentando que a NATO está também prestes a "reforçar ainda mais" a sua "postura defensiva e dissuasora para responder a todas as contingências", os ministros da Defesa da Aliança Atlântica argumentam que estas medidas são "preventivas e proporcionais" e não contribuem para uma escalada das tensões.

Sem nunca fazerem referência aos anúncios de Moscovo de uma retirada de tropas -- que a Aliança garante não ter ainda constatado no terreno -- os ministros da Defesa começam por reafirmar a sua "profunda preocupação" com o "reforço em grande escala, sem justificação e na ausência de qualquer ameaça, do dispositivo militar russo na Ucrânia e em seu torno, assim como na Bielorrússia".

"Instamos a Rússia, nos termos mais fortes possíveis, a escolher a via da diplomacia, e a inverter imediatamente o reforço do seu dispositivo militar e retirar as suas forças da Ucrânia, de acordo com as suas obrigações e compromissos internacionais. Continuamos empenhados na nossa abordagem dupla à Rússia: forte dissuasão e defesa, combinada com a abertura ao diálogo", indicam os 30 membros da organização.

Os ministros garantem que "a NATO e os Aliados continuam a prosseguir a diplomacia e o diálogo com a Rússia sobre questões de segurança euro-atlântica, incluindo ao mais alto nível" e apoiam todos os esforços com vista à implementação dos Acordos de Minsk.

"Manifestámos a nossa disponibilidade para participar num diálogo renovado sobre segurança europeia, iniciado pela Polónia enquanto atual presidência da OSCE [Organização para a Segurança e Cooperação na Europa]. Fizemos propostas substanciais à Rússia para reforçar a segurança de todas as nações da região euro-atlântica e aguardamos uma resposta. Temos repetidamente oferecido, e continuamos a oferecer, mais diálogo através do Conselho NATO-Rússia, e estamos prontos para nos envolvermos. Encorajamos vivamente a Rússia a retribuir e a escolher a diplomacia e a desescalada", indicam.

Numa altura em que o Kremlin garante que concluiu as manobras militares nas zonas fronteiriças, um anúncio recebido com muita cautela pela NATO e União Europeia, a crise entre Rússia e Ucrânia será objeto de discussão ao mais alto nível na quinta-feira a nível dos 27, já que foi hoje convocada uma reunião informal de uma hora dos chefes de Estado e de Governo da UE para fazer um ponto da situação do conflito, imediatamente antes do arranque da cimeira UE-África. Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, António Costa.

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